Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem Nada lhe falta: Só Deus basta.
Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue Com peito grande,
E, venha o que vier,
Nada te espante.
Vês a glória do mundo?
É glória vã;
Nada tem de estável, Tudo passa.
Aspira às coisas celestes,
Que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-O como merece,
Bondade imensa;
Mas não há amor fino Sem a paciência.
Confiança e fé viva Mantenha a alma,
Que quem crê e espera Tudo alcança.
Do inferno acossado Muito embora se veja,
Burlará os seus furores Quem a Deus tem.
Advenham-lhe desamparos, Cruzes, desgraças;
Sendo Deus o seu tesouro, Nada lhe falta.
Ide, pois, bens do mundo,
Ide, ditas vãs;
Ainda que tudo perca,
Só Deus basta.
S. Teresa de Ávila
"Onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja Católica" S. Inácio de Antioquia (35 - 110 d.C.)
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terça-feira, 10 de setembro de 2013
NADA TE PERTUBE (S. Teresa de Ávila)
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
O Papa: Desejo de conhecer Deus está em todos, inclusive nos ateus
O Papa: Desejo de conhecer Deus está em todos, inclusive nos ateus
VATICANO, 16 Jan. 13 (ACI/EWTN Noticias) .- Em sua habitual catequese das quartas-feiras, o Papa Bento XVI assinalou que o desejo de realmente conhecer Deus está em todos os homens, inclusive naqueles que se dizem ateus.
Diante dos milhares de fiéis presentes na Sala Pablo VI no Vaticano e em sua catequese dedicada à Revelação do Senhor, o Santo Padre assinalou que "o desejo de conhecer Deus realmente, isso é, de ver a face de Deus é inerente a todos os homens, também nos ateus. E nós temos talvez inconscientemente este desejo de ver simplesmente quem é Ele, o que é, quem é para nós. Mas este desejo se realiza seguindo Cristo".
Bento XVI ressaltou que " O importante é que sigamos Cristo não somente no momento no qual temos necessidade e quando encontramos um espaço nas nossas ocupações cotidianas, mas com a nossa vida enquanto tal. Toda a nossa existência deve ser orientada ao encontro com Jesus Cristo, ao amor por Ele; e, nisso, um lugar central deve ter o amor pelo próximo".
"Aquele amor que, à luz do Crucifixo, nos faz reconhecer a face de Jesus no pobre, no fraco, naquele que sofre. Isso é possível somente se a verdadeira face de Jesus tornou-se familiar para nós na escuta da sua Palavra, no falar interiormente, no entrar nesta Palavra de forma que realmente O encontremos, e naturalmente no Mistério da Eucaristia".
O Papa ressaltou que "no Evangelho de São Lucas, é significativa a parte dos dois discípulos de Emaús, que reconhecem Jesus ao partir o pão, mas preparados pelo caminho com Ele, preparados pelo convite que fizeram a Ele de permanecer com eles, preparados pelo diálogo que fez arder os seus corações; assim, ao fim, veem Jesus".
Bento XVI se referiu também à Revelação de Deus no Antigo Testamento aonde o Senhor, "depois da criação, apesar do pecado original, apesar da arrogância do homem de querer colocar-se no lugar do seu criador, oferece novamente a possibilidade da sua amizade, sobretudo através da aliança com Abraão e o caminho de um pequeno povo, aquele de Israel, que Ele escolhe não com critérios de poder terreno, mas simplesmente por amor".
"É uma escolha que permanece um mistério e revela o estilo de Deus que chama alguns não para excluir outros, mas para que faça uma ponte que conduza a Ele: eleição é sempre eleição para o outro. Na história do povo de Israel podemos refazer os passos de um longo caminho no qual Deus se faz conhecer, se revela, entra na história com palavras e com ações".
“Em Jesus de Nazaré, Deus visita realmente o seu povo, visita a humanidade de um modo que vai além de todas as expectativas: manda o seu Filho Unigênito; faz-se homem o próprio Deus. Jesus não nos diz qualquer coisa sobre Deus, não fala simplesmente do Pai, mas é a revelação de Deus, porque é Deus, e nos revela assim a face de Deus", destacou também o Pontífice.
"Deus está certamente acima de todas as coisas, mas se dirige a nós, escuta-nos, vê-nos, fala, estabelece aliança, é capaz de amar. A história da salvação é a história de Deus com a humanidade, é a história deste relacionamento de Deus que se revela progressivamente ao homem, que faz conhecer a si próprio, a sua face".
O Santo Padre afirmou que "o esplendor da face divina é a fonte de vida, é isso que permite ver a realidade; a luz da sua face é o guia da vida. No Antigo Testamento tem uma figura à qual está conectado de uma forma muito especial o tema da "face de Deus"; trata-se de Moisés, aquele que Deus escolhe para libertar o povo da escravidão do Egito, doa-lhe a Lei da aliança e o conduz à Terra prometida".
Depois de descrever que entre Moisés e Deus, o Papa assinalou que por um lado existe “o diálogo face a face como entre amigos”, mas do outro “a impossibilidade, nesta vida, de ver a face de Deus, que permanece escondida; a visão é limitada. Os Padres dizem que estas palavras, “tu me verás por detrás”, querem dizer: tu podes somente seguir Cristo e seguindo vês por trás o mistério de Deus; Deus pode ser seguido vendo as suas costas".
"Algo de completamente novo acontece, porém, com a Encarnação. A busca da face de Deus recebe uma mudança incrível, porque agora esta face pode ser vista: é aquela de Jesus, do Filho de Deus que se faz homem. Nele encontra cumprimento o caminho da revelação de Deus iniciado com o chamado a Abraão, Ele é a plenitude desta revelação porque é o Filho de Deus, é ao mesmo tempo “mediador e plenitude de toda a Revelação”".
O Papa sublinhou deste modo que "Nele o conteúdo da Revelação e o Revelador coincidem. Jesus nos mostra a face de Deus e nos faz conhecer o nome de Deus”.
“Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, não é simplesmente um dos mediadores entre Deus e o homem, mas é “o mediador” da nova e eterna aliança (cfr Eb 8,6; 9,15; 12,24); “um só, de fato, é Deus – diz Paulo – e um só o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus” (1 Tm 2,5; cfr Gal 3,19-20). Nele nós vemos e encontramos o Pai; Nele podemos invocar Deus com o nome de “Abbá Pai”; nele nos é doada a salvação.
“Também para nós a Eucaristia é a grande escola na qual aprendemos a ver a face de Deus, entramos em relacionamento íntimo com Ele; e aprendemos, ao mesmo tempo a dirigir o olhar para o momento final da história, quando Ele irá nos satisfazer com a luz da sua face. Sobre a terra nós caminhamos para esta plenitude, na expectativa alegre que se realiza realmente no Reino de Deus”.
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sábado, 10 de novembro de 2012
O que pode realmente satisfazer o desejo do homem?
O que pode realmente satisfazer o desejo do homem?
Catequese de Bento XVI na Audiência Geral de quarta- feira
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 07 de novembro de 2012(ZENIT.org)- Publicamos a seguir o texto da catequese de Bento XVI durante a Audiencia Geral desta quarta-feira, na praça de São Pedro.
O Ano da fé. O desejo de Deus.
Queridos irmãos e irmãs,
O caminho de reflexão que estamos fazendo juntos neste Ano da Fé nos leva a meditar hoje sobre um aspecto fascinante da experiência humana e cristã: o homem traz consigo um misterioso desejo de Deus. De modo muito significativo, o Catecismo da Igreja Católica inicia com a seguinte consideração: “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair para si o homem e somente em Deus o homem encontrará a verdade e a felicidade que busca sem parar” (n27).
Afirmação esta que ainda hoje, em muitos contextos culturais parece totalmente aceitável, quase óbvia, poderia parecer talvez um desafio no âmbito da cultura ocidental secularizada. Muitos dos nossos contemporâneos poderiam de fato afirmar que não sentem por nada um desejo de Deus. Para muitos setores da sociedade Ele não é mais o esperado, o desejado, mais sim uma realidade indiferente, diante da qual não se deve nem mesmo fazer o esforço de pronunciar-se. Na verdade, aquilo que definimos como “desejo de Deus” não está totalmente desaparecido e se aproxima ainda hoje, de vários modos, ao coração do homem. O desejo humano tende sempre a determinados bens concretos, frequentemente outros que não o espiritual, e ainda se encontra diante da interrogação sobre o que realmente é “o” bem, e então a se confrontar com qualquer coisa fora de si, que o homem não pode construir, mas é chamado a reconhecer. O que pode realmente satisfazer o desejo do homem?
Na minha primeira Encíclica, Deus caritas est, procurei analisar como tal dinamismo se realiza na experiência do amor humano, experiência que na nossa época é mais facilmente percebida como momento de êxtase, de saída de si, como lugar onde o homem é atravessado por um desejo que o supera. Através do amor, o homem e a mulher experimentam de um modo novo, um graças ao outro, a grandeza e a beleza da vida e do real. Se isso que experimentam não é simplesmente uma ilusão, se de fato quero o bem do outro como via também do meu bem, então devo estar disposto a descentralizar-me, a colocar-me ao seu serviço, a ponto de renunciar a mim mesmo. A resposta à questão sobre o sentido da experiência do amor passa, portanto através da purificação e da cura da vontade, o que é necessário para o próprio bem que se quer para o outro. Precisamos praticar, treinar, e até mesmo corrigir, para que aquele bem possa realmente ser desejado.
O êxtase inicial se traduz assim em peregrinação, “êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para sua libertação na doação de si, e assim para o reencontro de si, e de fato para a descoberta de Deus” (Enc.Deus caritas est,6). Através deste caminho progressivamente poderá aprofundar-se para o homem a consciência daquele amor que havia inicialmente experimentado. E irá sempre mais tecendo o mistério que isso representa: nem mesmo a pessoa amada, de fato, é capaz de satisfazer o desejo que habita no coração humano, de fato, quanto mais autêntico é o amor pelo outro, mais isso deixa em aberto a interrogação sobre sua origem e seu destino, sobre a possibilidade que há de durar para sempre. Assim, a experiência humana do amor tem em si um dinamismo que leva além de si mesma, é experiência de um bem que leva a sair de si e encontrar-se diante de um mistério que envolve toda a existência.
Considerações análogas poderiam ser feitas também a propósito de outras experiências humanas, como a amizade, a experiência do belo, o amor pelo conhecimento: cada bem experimentado pelo homem conduz em direção ao mistério que envolve o próprio homem; cada desejo que se aproxima do coração humano se faz eco de um desejo fundamental que jamais será plenamente satisfeito. Sem dúvida, de tal desejo profundo, que esconde também alguma coisa de enigmático, não é possível chegar diretamente à fé. O homem, afinal, conhece bem o que não o satisfaz, mas não pode imaginar ou definir o que o faria experimentar aquela felicidade que traz no coração a nostalgia. Não é possível conhecer a Deus apenas a partir do desejo do homem. Deste ponto de vista surge o mistério: o homem é um buscador do Absoluto, um buscador a passos pequenos e incertos. E, todavia, a experiência do desejo, do “coração inquieto” como o chamava Santo Agostinho, já é significativa. Isso atesta que o homem é, no fundo, um ser religioso (cfr Catecismo da Igreja Católica, 28), um “mendigo de Deus”. Podemos dizer com as palavras de Pascal: “O homem supera infinitamente o homem” (Pensamentos, Ed Chevalier 438; Ed Brunschvicg 434). Os olhos reconhecem os objetos quando estes são iluminados pela luz. Daí o desejo de conhecer a mesma luz, que faz brilhar as coisas do mundo e com essa acende o sentido da beleza.
Devemos, portanto, levar em consideração que é possível também na nossa época, aparentemente muito refratária à dimensão transcendente, abrir um caminho em direção ao autêntico sentido religioso da vida, que mostra como o dom da fé não é absurdo, não é irracional. Seria muito útil, para tal fim, promover um tipo de pedagogia do desejo, seja para o caminho de quem ainda não crê, seja para quem já recebeu o dom da fé. Uma pedagogia que compreende pelo menos dois aspectos. Em primeiro lugar, aprender ou re-aprender o gosto das alegrias autênticas da vida. Nem todas as satisfações produzem em nós o mesmo efeito: algumas deixam uma marca positiva, são capazes de pacificar a alma, nos tornam mais ativos e generosos. Outras ao invés, depois da luz inicial, parecem desiludir as expectativas que tinham suscitado e por vezes deixam amargura, insatisfação ou uma sensação de vazio.
Educar desde a infância a saborear as verdadeiras alegrias, em todos os âmbiots da existência – a família, a amizade, a solidariedade com quem sofre, a renuncia ao próprio eu para servir ao outro, o amor pelo conhecimento, pela arte, pela beleza da natureza-, tudo isso significa exercitar o gosto interior e produzir anticorpos eficazes contra a banalização e o abatimento hoje difundidos. Os adultos também precisam redescobrir esta alegria, de desejar realidades autênticas, purificando-se da mediocridade na qual possam encontrar-se enredados. Será, então, mais fácil deixar cair ou rejeitar tudo o que, embora aparentemente atrativo, se revela insípido, fonte de dependência e não de liberdade. E isso fará emergir aquele desejo de Deus do qual estamos falando.
Um segundo aspecto, que vai em paralelo ao precedente, é o não contentar-se jamais com o que foi alcançado. Somente as alegrias mais verdadeiras são capazes de liberar em nós aquela saudável inquietação que leva a ser mais exigente – querer um bem mais alto, mais profundo – e junto a perceber com mais clareza que nada de finito pode preencher o nosso coração.
Aprenderemos, assim, a tender, desarmados, ao bem que não podemos construir ou adquirir com as nossas próprias forças; a não deixar-nos desencorajar pelo cansaço ou pelos obstáculos que provêm do nosso pecado.
A este respeito, não podemos esquecer que o dinamismo do desejo está sempre aberto à redenção. Mesmo quando esse caminha por caminhos desviados, quando segue paraísos artificiais e parece perder a capacidade de ansiar o bem verdadeiro. Mesmo no abismo do pecado não se apaga no homem aquela faísca que lhe permite reconhecer o verdadeiro bem, de saboreá-lo, e de iniciar assim um percurso de subida, no qual Deus, com o dom da sua graça, não deixa jamais faltar a sua ajuda. Todos, aliás, precisamos percorrer um caminho de purificação e de cura do desejo. Somos peregrinos em direção à pátria celestial, em direção ao bem pleno, eterno, que nada jamais nos poderá tirar. Não se trata, portanto, de sufocar o desejo que está no coração do homem, mas de libertá-lo, para que possa alcançar a sua verdadeira altura. Quando no desejo se abre a janela em direção a Deus, isto já é um sinal da presença da fé na alma, fé que é graça de Deus. Santo Agostinha sempre afirmava: “Com a expectativa, Deus fortalece o nosso desejo, com o desejo alarga a nossa alma e dilatando-o deixa-o mais capaz” (Comentário da Primeira cata de João, 4, 6: PL 35, 2009).
Nesta peregrinação, sentimo-nos irmãos de todos os homens, companheiros de viagem também daqueles que não crêem, de quem está a procura, de quem se deixa interrogar com sinceridade pelo dinamismo do próprio desejo de verdade e de bem. Rezemos, neste Ano da fé, para que Deus mostre a sua face a todos aqueles que o buscam com coração sincero. Obrigado.
(Trad.MEM)A
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
As provas para a existência de Deus são muitas e convergentes
As provas para a existência de Deus são muitas e convergentes
Papa João Paulo II
Tradução: Emerson de Oliveira
fonte: LOGOS APOLOGÉTICA
Audiência dada em 10 de julho de 1985. Esse artigo papal sobre a existência de Deus é o segundo de uma série baseada no Salmo 18/19:2-5.
1. Quando nos perguntamos: "Por que cremos em Deus"? a primeira resposta é dada por nossa fé: Deus se revelou a humanidade e entrou em contato com ela. A suprema revelação divina veio através de Jesus Cristo, Deus encarnado. Nós cremos em Deus porque Deus se fez conhecido a nós como o Ser Supremo, o "Auto-Existente".
No entanto, esta fé em Deus que revela a si mesma, também encontra suporte na razão de nossa inteligência. Ao refletirmos, vemos que não faltam provas para a existência de Deus. Estas tem sido elaboradas por pensadores que as colocaram em forma de demonstrações filosóficas com rígidas deduções lógicas. Mas eles também podem ter uma forma mais simples e por isso serem acessíveis a todos os que buscam entender o real significado do mundo. .
Provas científicas
2. Ao falar da existência de Deus devemos salientar que não estamos falando de provas no sentido entendido pelas ciências experimentais. As provas científicas no sentido lato da palavra só são válidas para coisas observáveis aos sentidos, sendo portanto, passíveis de serem pesquisadas pelos laboratórios. Desejar uma prova científica de Deus seria o equivalente a transformarmos Deus no nível das criaturas deste mundo, e por isso, nos equivocaríamos metodologicamente a respeito do que Deus é. A ciência deve reconhecer seus limites e sua impossibilidade de alcançar a existência de Deus: nem pode afirmar nem pode negar sua existência.
Disto, no entanto, nós podemos concluir que os cientistas em suas pesquisas são incapazes de encontrar razões válidas para admitir a existência de Deus. Se a ciência como tal não pode achar Deus, o cientista inteligente não se limita somente às coisas observáveis, mas pode concluir que há algo que transcende a matéria. Muitos cientistas pensam assim e fizeram esse descobrimento..
Quem reflete com mente aberta no que é implícito na existência do Universo, pode não ajudar mas pode propor uma questão do problema da origem. Instintivamente, ao darmos testemunho de certos fatos, perguntamos o que o causou. Podemos fazer a mesma pergunta com respeito aos fenômenos que acontecem no mundo?
Uma Causa suprema
3. Uma hipótese científica como a expansão do Universo, torna o problema mais claro. Se o Universo está em expansão constante, deve ter havido um "momento inicial", em que esta expansão começou? Mas segundo a teoria adotada por alguns essa pergunta não tem resposta. Este Universo em movimento constante postula uma Causa que, inicialmente, tem começado este movimento. Sem tal causa Suprema, o mundo e cada movimento permaneceria "inexplicado" e "inexplicável" e nossa inteligência ficaria sem respostas. A mente humana só pode receber uma resposta a suas perguntas admitindo a existência de um Ser que criou o mundo com todo o seu dinamismo e é quem o continua mantendo em existência.
4. A necessidade de voltarmos a uma Causa suprema fica mais evidente se vermos as provas incessantes que a ciência descobre sobre a estrutura da matéria. Quando a inteligência humana observa a constituição e estruturas das partículas elementares, não percebe ali uma Inteligência que a concebeu? Ao ver a imensa maravilha que existe na pequenez do átomo e na imensidão do cosmos, a mente humana sente que todo esse trabalho de qualidade foi feito por um Criador cuja sabedoria está mais além do que todas as medidas e que seu poder é infinito.
Impressionante Final
5. Todas as observações acerca do desenvolvimento da vida leva a uma conclusão parecida. A evolução dos seres vivos, que a ciência procura descobrir os elos e estudar o mecanismo, revela uma finalidade superior que desperta admiração. Esta finalidade que dirige os seres em sua trajetória de existência revela a Mente de Um Criador.
A história da humanidade e da vida de cada ser humano tem uma finalidade mais profunda. Logicamente, o homem não pode explicar a ele o significado de tudo, portanto, o homem não é o senhor de seu prórpio destino. Não só não o fez mas também não tem o poder de dominar sua existência. No entanto, ele sabe que tem um destino e tenta descobrir quem o escreveu e como isso está escrito dentro dele. Em certos momentos ele pode discernir uma finalidade oculta que aparece de uma convergência de circunstâncias e eventos mais facilmente. Assim ele descobre que um Criador o tem feito e dirigido em existência.
6. Entre as qualidades deste mundo que nos impele a buscar respostas, há finalmente, beleza. Ela se manifesta nas maravilhas da natureza; se expressa nas obras de arte inumeráveis, literatura, música, pintura e artes plásticas. Também se evidencia pela conduta moral: há tantos bons sentimentos, tantos feitos fantásticos.
O homem fica consciente ou "recebe" toda esta beleza, sempre que ele coopera por sua ação ou manifestção. Ele descobre e a entende totalmente quando reconhece sua fonte, a beleza transcendente de Deus.
A fé estimula
7. Para todas estas "indicações" da existência de Deus, alguns poderiam opor o poder da chance ou de propor os mecanismos da matéria. Falar de um Universo que apresenta semelhante constituição complexa em seus elementos e semelhante finalidade seria o equivalente a deixar a busca de uma explicação do mundo quando aparece a nós. De fato, isso seria o mesmo a admitir efeitos sem uma causa. Seria uma negação da inteligência humana que rejeitasse pensar assim, para buscar uma solução para seus problemas.
Concluindo, uma olhada das indicações que o Universo nos mostra impele o homem a ver que há um Criador. As provas para a existência de Deus são muitas e convergentes. Eles contribuem para mostrar que a fé não humilha a inteligência humana, mas a estimula nas reflexões e permitem entender os "porquês" propostos pela observação de uma realidade melhor.
Tradução: Emerson de Oliveira
fonte: LOGOS APOLOGÉTICA
Audiência dada em 10 de julho de 1985. Esse artigo papal sobre a existência de Deus é o segundo de uma série baseada no Salmo 18/19:2-5.
1. Quando nos perguntamos: "Por que cremos em Deus"? a primeira resposta é dada por nossa fé: Deus se revelou a humanidade e entrou em contato com ela. A suprema revelação divina veio através de Jesus Cristo, Deus encarnado. Nós cremos em Deus porque Deus se fez conhecido a nós como o Ser Supremo, o "Auto-Existente".
No entanto, esta fé em Deus que revela a si mesma, também encontra suporte na razão de nossa inteligência. Ao refletirmos, vemos que não faltam provas para a existência de Deus. Estas tem sido elaboradas por pensadores que as colocaram em forma de demonstrações filosóficas com rígidas deduções lógicas. Mas eles também podem ter uma forma mais simples e por isso serem acessíveis a todos os que buscam entender o real significado do mundo. .
Provas científicas
2. Ao falar da existência de Deus devemos salientar que não estamos falando de provas no sentido entendido pelas ciências experimentais. As provas científicas no sentido lato da palavra só são válidas para coisas observáveis aos sentidos, sendo portanto, passíveis de serem pesquisadas pelos laboratórios. Desejar uma prova científica de Deus seria o equivalente a transformarmos Deus no nível das criaturas deste mundo, e por isso, nos equivocaríamos metodologicamente a respeito do que Deus é. A ciência deve reconhecer seus limites e sua impossibilidade de alcançar a existência de Deus: nem pode afirmar nem pode negar sua existência.
Disto, no entanto, nós podemos concluir que os cientistas em suas pesquisas são incapazes de encontrar razões válidas para admitir a existência de Deus. Se a ciência como tal não pode achar Deus, o cientista inteligente não se limita somente às coisas observáveis, mas pode concluir que há algo que transcende a matéria. Muitos cientistas pensam assim e fizeram esse descobrimento..
Quem reflete com mente aberta no que é implícito na existência do Universo, pode não ajudar mas pode propor uma questão do problema da origem. Instintivamente, ao darmos testemunho de certos fatos, perguntamos o que o causou. Podemos fazer a mesma pergunta com respeito aos fenômenos que acontecem no mundo?
Uma Causa suprema
3. Uma hipótese científica como a expansão do Universo, torna o problema mais claro. Se o Universo está em expansão constante, deve ter havido um "momento inicial", em que esta expansão começou? Mas segundo a teoria adotada por alguns essa pergunta não tem resposta. Este Universo em movimento constante postula uma Causa que, inicialmente, tem começado este movimento. Sem tal causa Suprema, o mundo e cada movimento permaneceria "inexplicado" e "inexplicável" e nossa inteligência ficaria sem respostas. A mente humana só pode receber uma resposta a suas perguntas admitindo a existência de um Ser que criou o mundo com todo o seu dinamismo e é quem o continua mantendo em existência.
4. A necessidade de voltarmos a uma Causa suprema fica mais evidente se vermos as provas incessantes que a ciência descobre sobre a estrutura da matéria. Quando a inteligência humana observa a constituição e estruturas das partículas elementares, não percebe ali uma Inteligência que a concebeu? Ao ver a imensa maravilha que existe na pequenez do átomo e na imensidão do cosmos, a mente humana sente que todo esse trabalho de qualidade foi feito por um Criador cuja sabedoria está mais além do que todas as medidas e que seu poder é infinito.
Impressionante Final
5. Todas as observações acerca do desenvolvimento da vida leva a uma conclusão parecida. A evolução dos seres vivos, que a ciência procura descobrir os elos e estudar o mecanismo, revela uma finalidade superior que desperta admiração. Esta finalidade que dirige os seres em sua trajetória de existência revela a Mente de Um Criador.
A história da humanidade e da vida de cada ser humano tem uma finalidade mais profunda. Logicamente, o homem não pode explicar a ele o significado de tudo, portanto, o homem não é o senhor de seu prórpio destino. Não só não o fez mas também não tem o poder de dominar sua existência. No entanto, ele sabe que tem um destino e tenta descobrir quem o escreveu e como isso está escrito dentro dele. Em certos momentos ele pode discernir uma finalidade oculta que aparece de uma convergência de circunstâncias e eventos mais facilmente. Assim ele descobre que um Criador o tem feito e dirigido em existência.
6. Entre as qualidades deste mundo que nos impele a buscar respostas, há finalmente, beleza. Ela se manifesta nas maravilhas da natureza; se expressa nas obras de arte inumeráveis, literatura, música, pintura e artes plásticas. Também se evidencia pela conduta moral: há tantos bons sentimentos, tantos feitos fantásticos.
O homem fica consciente ou "recebe" toda esta beleza, sempre que ele coopera por sua ação ou manifestção. Ele descobre e a entende totalmente quando reconhece sua fonte, a beleza transcendente de Deus.
A fé estimula
7. Para todas estas "indicações" da existência de Deus, alguns poderiam opor o poder da chance ou de propor os mecanismos da matéria. Falar de um Universo que apresenta semelhante constituição complexa em seus elementos e semelhante finalidade seria o equivalente a deixar a busca de uma explicação do mundo quando aparece a nós. De fato, isso seria o mesmo a admitir efeitos sem uma causa. Seria uma negação da inteligência humana que rejeitasse pensar assim, para buscar uma solução para seus problemas.
Concluindo, uma olhada das indicações que o Universo nos mostra impele o homem a ver que há um Criador. As provas para a existência de Deus são muitas e convergentes. Eles contribuem para mostrar que a fé não humilha a inteligência humana, mas a estimula nas reflexões e permitem entender os "porquês" propostos pela observação de uma realidade melhor.
domingo, 14 de outubro de 2012
A maioria dos ateus estão mais próximos do que eles pensam de acreditar em Deus.
"A maioria dos ateus estão mais próximos do que eles pensam de acreditar em Deus. Eu acho que os ateus que eu conheço que são tão dedicados a viver uma vida de amor, empatia, bondade, e que, caso fosse comprovado cientificamente amanhã que essas coisas não eram nem benéfico para o indivíduo, nem a sociedade, o meu palpite é que eles ainda assim viveriam suas vidas de amor, bondade e empatia. Eles acreditam que, se estas coisas não fossem boas e verdadeiras, então nada então seria bom e verdadeiro, que de alguma forma eles são mais reais do que a realidade. E, assim como eu descobri, quando você abraçar essa compreensão, você teve o seu primeiro encontro com Deus".
Jennifer Fulwiler
quarta-feira, 13 de junho de 2012
A união com Deus não afasta do mundo
A união com Deus não afasta do mundo
Catequese de Bento XVI na Audiência Geral de quarta- feira
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 13 de junho de 2012(ZENIT.org) – Apresentamos a seguir a catequese do Papa Bento XVI realizada durante a Audiência Geral desta manhã de quarta-feira, dirigida aos fiéis e peregrinos reunidos na Sala Paulo VI.
A contemplação e a força da oração (2Cor 12, 1-10)
Queridos irmãos e irmãs,
O encontro cotidiano com o Senhor e a frequência aos Sacramentos permitem abrir nossa mente e o nosso coração para Sua presença, a Sua palavra, a Sua ação. A oração não é somente o respiro da alma, mas para usar uma imagem, é também o oásis de paz no qual podemos tirar a água que alimenta nossa vida espiritual e transforma a nossa existência. E Deus nos atraia para si, nos faz subir o monte da santidade, porque estamos sempre mais próximos a Ele, oferecendo-nos, ao longo do caminho, luzes e consolações. Esta é a experiência pessoal a qual São Paulo faz referência no capítulo 12 da Segunda Carta aos Coríntios, sobre a qual desejo deter-me hoje. Diante de quem contesta a legitimidade do seu apostolado, ele não enumera as diversas comunidades que fundou, os quilômetros que percorreu; não se limita a recordar as dificuldades e as oposições que enfrentou para anunciar o Evangelho, mas indica seu relacionamento com o Senhor, um relacionamento tão intenso caracterizado também por momentos de êxtase e contemplação profunda (cfr 2 Cor 12,1); então ele não se vangloria daquilo que fez, da sua força, das suas atividades e sucessos, mas se vangloria das ações que Deus fez nele e por meio dele.
Com grande pudor, ele conta, de fato, o momento no qual viveu a experiência particular de ser raptado ao Céu de Deus. Ele recorda que quatorze anos antes do envio da Carta “foi arrebatado – assim diz – até o terceiro céu” (v. 2). Com linguagem e modos de quem conta aquilo que não se pode contar, São Paulo fala daquele fato até em terceira pessoa; afirma que um homem foi raptado até o “jardim” de Deus, o paraíso. A contemplação é tão profunda e intensa que o Apóstolo não recorda nem mesmo os conteúdos da revelação recebida, mas tem bem presente a data e as circunstâncias na qual o Senhor o agarrou totalmente, o atraiu para Si, como fez na estrada de Damasco no momento de sua conversão (cfr Fil 3,12).
São Paulo continua dizendo que exatamente para não subir a soberba pela grandeza das revelações recebidas, ele carrega consigo um “espinho”(2 Cor 12,7), um sofrimento, e suplica com força ao Ressuscitado para ser liberto do convite do maligno, deste espinho doloroso na carne. Por três vezes – relata – rezou insistentemente ao Senhor para afastar esta prova. E é nesta situação que, na contemplação profunda de Deus, durante a qual “ouviu palavras afáveis, que não é permitido a nenhum homem repetir” (v. 4), recebe a resposta a sua súplica. O Ressuscitado lhe dirige uma palavra clara e reconfortante: “Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força” (v. 9).
O comentário de Paulo sobre estas palavras pode deixar-nos surpresos, mas revela como ele compreendeu o que significa ser verdadeiramente apóstolo do Evangelho. Exclama, de fato, assim: “Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor a Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (vv. 9b-10), isto é não se vangloria das suas ações, mas das atividades de Cristo que age exatamente em suas fraquezas. Detemo-nos, agora, um momento sobre este fato acontecido durante os anosem que São Pauloviveu no silêncio e na contemplação, antes de começar a percorrer o Ocidente para anunciar Cristo; porque esta atitude de profunda humildade e confiança diante das manifestações de Deus é fundamental também para nossa oração e para nossa vida, para nossa relação com Deus e com as nossas fraquezas.
Antes de tudo, de quais fraquezas fala o Apóstolo? O que é este “espinho” na carne? Não sabemos e não nos diz, mas sua atitude faz compreender que cada dificuldade no seguimento de Cristo e no testemunho do Seu Evangelho pode ser superada abrindo-se com confiança às ações do Senhor. São Paulo é bem consciente de ser um “servo inútil” (Lc 17,10) – não foi ele que me fez coisas grandes, foi o Senhor –, um “vaso de barro” (2 Cor 4,7), no qual Deus põe a riqueza e a potência de Sua Graça. Neste momento de intensa oração contemplativa, São Paulo compreende com clareza como enfrentar e viver cada evento, sobretudo o sofrimento, a dificuldade, a perseguição: no momento em que experimenta a própria fraqueza, se manifesta a potência de Deus, que não abandona, não deixa sozinho, mas torna-se sustento e força. Claro, Paulo teria preferido ser liberto deste “espinho”, deste sofrimento; mas Deus diz: “Não, isto é necessário para ti. Terás graça suficiente para resistir e para fazer aquilo que deve ser feito. Isso vale também para nós. O Senhor não nos liberta dos males, mas nos ajuda a amadurecer nos sofrimentos, nas dificuldades, nas perseguições. A fé, então, nos diz que, se permanecemos em Deus “ainda que exteriormente se desconjunte nosso homem exterior, nosso interior renova-se dia após dia, juntamente nas provas” (cfr v. 16). O Apóstolo comunica aos cristãos de Coríntios e também a nós que “a nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável” (v. 17). Na realidade, humanamente falando, não era pouco o peso das dificuldades, era gravíssimo, mas em contrapartida com o amor de Deus, com a grandeza de ser amado por Deus, parece leve, sabendo que a quantidade da glória será imensurável. Então, na medida em que cresce nossa união com o Senhor, e intensifica-se a nossa oração, também nós caminhamos para o essencial e compreendemos que não é a potência dos nossos meios, das nossas virtudes, das nossas capacidades que realiza o Reino de Deus, mas é Deus que opera maravilhas justamente através da nossa fraqueza, da nossa inadequação à atribuição. Devemos, então, ter a humildade de não confiar simplesmente em nós mesmos, mas de trabalhar, com a ajuda do Senhor, na vinha do Senhor, confiando-nos a Ele como frágeis “vasos de barro”.
São Paulo faz referência a duas particulares revelações que mudaram radicalmente sua vida. A primeira – sabemos – é a pergunta feita sobre a estrada de Damasco: “Saulo, Saulo, porque me persegues? (At 9,4), pergunta que o levou a entender e encontrar Cristo vivo e presente, e a ouvir seu chamado a ser apóstolo do Evangelho. A segunda são palavras que o Senhor lhe dirigiu na experiência da oração contemplativa sobre a qual estamos refletindo “Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força”. Somente a fé, a confiança nas ações de Deus, na bondade de Deus que não nos abandona, é que a garantia de não trabalhar em vão. Assim, a Graça do Senhor foi a força que acompanhou São Paulo nos imensos esforços para difundir o Evangelho e o seu coração entrou no coração de Cristo, tornando capaz de conduzir os outros em direção Àquele que morreu e ressuscitou por nós.
Na oração, nós abrimos, então, a nossa alma ao Senhor a fim que Ele venha habitar em nossa fraqueza, transformando-a em força para o Evangelho. E é rico de significado também do verbo grego com o qual Paulo descreve esta moradia do Senhor em sua frágil humanidade; usa episkenoo, que podemos entender como “montar a própria tenda”. O Senhor continua a montar Sua tenda em nós, em meio a nós: é o Mistério da Encarnação. O mesmo Verbo divino, que veio habitar em nossa humanidade, quer habitar em nós, montarem nós Suatenda, para iluminar e transformar a nossa vida e o mundo.
A intensa contemplação de Deus experimentada por São Paulo faz referência àquela dos discípulos no Monte Tabor, quando vendo Jesus transfigurar-se e resplandecer de luz, Pedro lhe diz: “Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outras para Elias” (Mc 9,5). “Não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados”, acrescenta São Marcos (v. 6). Contemplar o Senhor é, ao mesmo tempo, fascinante e tremendo: fascinante porque Ele nos atrai para si e rouba nosso coração em direção ao alto, levando-o à sua altura onde experimentamos a paz, a beleza do Seu amor; tremendo porque expõe a nossa fragilidade humana, nossa inadequação, o esforço de vencer o Maligno que ameaça nossas vidas, aquele espinho ainda preso em nossa carne. Na oração, na contemplação cotidiana do Senhor, nós recebemos a força do amor de Deus e sentimos que são verdadeiras as palavras de São Paulo aos cristãos de Roma, onde escreveu: “Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunhaem Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,38-39).
Num mundo em que corremos o risco de confiar somente na eficiência e na potência dos meios humanos, neste mundo somos chamados a redescobrir e testemunhar a potência de Deus comunicada na oração, com a qual crescemos cada dia no conformar a nossa vida àquela de Cristo, o qual – como afirma – “foi crucificado por fraqueza, mas está vivi pelo poder de Deus.Também nós somos fracos nele, mas com ele vivemos, pelo poder de Deus para atuar entre nós” (2 Cor 13,4).
Queridos amigos, no século passado, Albert Schweitzer, teólogo protestante e prêmio Nobel da paz, afirmou que “Paulo é um místico e nada mais que um místico”, isto é um homem realmente apaixonado por Cristo e assim unido a Ele, para poder dizer: Cristo vive em mim. A mística de São Paulo não é fundamentada apenas nos eventos excepcionais por ele vividos, mas também no cotidiano e intenso relacionamento com o Senhor que sempre o sustentou com Sua Graça. A mística não o afastou da realidade, ao contrário, lhe deu força para viver cada dia por Cristo e para construir a Igreja até o fim do mundo daquele tempo. A união com Deus não afasta do mundo, mas nos dá a força para permanecer realmente no mundo, para fazer aquilo que deve ser feito no mundo. Também em nossa vida de oração podemos, então, ter momentos de particular intensidade, talvez, no qual sentimos mais viva a presença do Senhor, mas é importante a constância, a fidelidade no relacionamento com Deus, sobretudo nas situações de aridez, de dificuldade, de sofrimento, de aparente ausência de Deus. Somente se somos apreendidos pelo amor de Cristo, seremos capazes de enfrentar qualquer adversidade, como Paulo, convencidos de que tudo podemos Naquele que nos fortalece (cfr Fil 4,13). Então, quanto mais damos espaço à oração, mais veremos que a nossa vida se transformará e será animada pela força concreta do amor de Deus. Assim aconteceu, por exemplo, com a beata Madre Teresa de Calcutá, que na contemplação de Jesus e mesmo em tempo de longa aridez, encontrava a razão e a força inacreditável para reconhecê-Lo nos pobres e nos abandonados, apesar de sua frágil figura.
A contemplação de Cristo na nossa vida não nos aliena – como já disse – da realidade, mas nos torna ainda mais participantes das questões humanas, porque o Senhor, atraindo-nos para si na oração, nos permite fazer-nos presentes e próximos de cada irmão no seu amor. Obrigado.
(Tradução:MEM)
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