quinta-feira, 4 de maio de 2017

ATEIA SE CONVERTE

[ATEIA SE CONVERTE À IGREJA CATÓLICA]


"Visto que tenho familiaridade com o uso de tecnologia da informática, eu criei um "blog", e comecei a publicar perguntas difíceis, por esse meio eletrônico. Muitos foram os que visitaram meu blog, comentando e apresentando suas respostas.

E as melhores respostas vieram dos católicos. Muito me impressionou o fato de que para cada pergunta minha eles tinham uma resposta pronta; e os argumentos dos católicos eram razoáveis e sólidos.

Quando comecei a mostrar para Joe as respostas recebidas dos católicos, nele também começou a crescer o interesse pela religião e, de maneira especial, pela religião católica. Eu e meu esposo sempre trabalhamos juntos, e era maravilhoso que nós dois, outrora tão anticatólicos, pudéssemos discutir e nos interessar, juntos, pelos assuntos da religião católica.

Porém, nossas perguntas eram diferentes. Quanto a mim, as perguntas que mais me confundiam eram as que se referiam à doutrina da Igreja sobre o matrimônio, contracepção e aborto. Antes, eu era a favor do aborto, e julgava que a posição da Igreja era maluca, sem sentido!

Quanto às dificuldades de Joe, eram diferentes. Ele não entendia a doutrina da Igreja Católica no tocante à apologética, especialmente, com referência a Nossa Senhora. Ainda outro fator que o inquietava era a própria Igreja Católica; Joe jamais entendera, com profundidade, que foi o próprio Cristo que fundou a Igreja Católica. Para ele, qualquer igreja, seja qual fosse, era boa.

No início, eu e meu marido jamais falávamos de religião. Joe era batista, mas não praticante, e eu era ateia, e por isso encontramos uma forma de manter o compromisso entre nós: jamais falamos de religião. Nossa vida era completamente sem Deus." [1]

Para Jennifer Fulwiler, a conversão ao catolicismo foi uma viagem gratificante, cheia de vitórias e provações, tal como o indica em seu último livro chamado "Tudo, Menos Deus" (Ele é vendido aqui http://ecclesiae.com.br/tudo-menos-deus?search=jennifer). [2]

Fonte do texto:
O tradutor católico
[1] https://goo.gl/qUExds
[2] https://goo.gl/QJBoUf
Twitter https://twitter.com/otradcatolico
Vídeo no Youtube: https://youtu.be/rg2qImeQNWY
Blog: https://otradutorcatolico.wordpress.com/

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A "Sola Scriptura" é bíblica?

A "Sola Scriptura" é bíblica?

Neste vídeo, Steve Ray (um católico convertido, vindo do protestantismo batista e uma das grandes vozes católicas nos EUA) comenta a Sola Scriptura.

O pilar fundamental do Protestantismo está edificado na doutrina da Sola Scriptura, que quer dizer “somente as Escrituras”, ou “somente a Bíblia basta”. Para eles, Cristo não fundou nenhuma Igreja e o Catolicismo se desviou cometendo vários erros doutrinários durante o decorrer da história.

Porém, alguns questionamentos (sem respostas) surgem:

Em qual livro do Novo Testamento os Apóstolos falam às gerações futuras que a fé cristã se baseará apenas na Bíblia?

Onde a Bíblia afirma ser a única autoridade para o cristão em matérias de fé e moral?

Onde Jesus ordena a seus Apóstolos a escreverem a Bíblia? O que está escrito lá é: “Ide e pregai” e não “ide e escrevei”. E assim, os Apóstolos não escreveram nada, somente ouviram e pregaram!

Por que existem mais de 40.000 denominações protestantes, com centenas e centenas de interpretações diferentes umas das outras, se todas estão com a mesma Bíblia na mão?

Se a Sola Scriptura é tão sólida e biblicamente fundada, por que não existe um tratado de verdade, escrito para defendê-la, desde a época em que a expressão foi cunhada pela Reforma?

Se a Igreja primitiva acreditava na Sola Scriptura, por que os credos primitivos sempre dizem: “Creio na Santa Igreja Católica” e não simplesmente “Creio nas Santas Escrituras”?

Se a Sola Scriptura fosse suficiente, como conheceríamos a lista dos livros canônicos, se ela não traz a relação deles? Qualquer pessoa de bom senso perceberá que os livros canônicos só chegou até nós graças à Igreja Católica, através do Magistério e da Tradição.

Portanto, agora você já sabe o que responder quando lhe disserem "Onde está na bíblia?" ou "Isso não é bíblico!"

por Canal "o tradutor católico" no facebook

Fonte do texto:
http://www.veritatis.com.br/sola-scriptura-ou-a-igreja/

Vídeo no youtube: https://youtu.be/La46KRCdQRk

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Triduo Pascal - Liturgia da Semana Santa

Explicação parte a parte de todos os momentos desta Semana Santa

Quinta-feira


Sexta-Feira

Sabado Santo

domingo, 16 de abril de 2017

Maria ao pé da Cruz de Jorge de Nicomedia - (séc. IX)



Oração Bizantina #BelíssimoEsposo #ComunidadeShalom

Maria ao pé da Cruz de Jorge de Nicomedia - (séc. IX)

Beijo a tua paixão,
com a qual fui libertado das minhas más paixões.

Beijo a tua Cruz,
com a qual condenaste o meu pecado
e me libertaste da condenação à morte.

Beijo aqueles cravos,
com que removeste o castigo da maldição.

Beijo as feridas dos teus membros,
com que foram curadas as feridas da minha rebelião.

Beijo a cana com que assinaste o atestado da minha libertação
e com que feriste a cabeça arrogante do dragão.

Beijo a esponja encostada aos teus lábios incontaminados,
com que a amargura da transgressão
me foi transformada em doçura.

Tivesse podido eu degustar aquele fel,
que dulcíssimo alimento não teria sido!

Tivesse podido eu tomar o vinagre,
que bebida agradável!

Aquela coroa de espinhos
teria sido para mim um diadema régio.

Aquelas cusparadas me teriam ornado como esplêndidas pérolas.

Aquelas zombarias me teriam ornado como sinal de profundo obséquio.

Aquelas bofetadas me teriam glorificado como o prestígio mais alto.

Eu te beijo, Senhor, e a tua paixão é o meu orgulho.

Beijo a lança que dilacerou o documento da minha dívida e abriu a fonte da imortalidade.

Beijo o teu lado do qual jorraram os rios da vida
e brotou para mim o rio perene da imortalidade.

Beijo a tua mortalha com que me adornaste
tirando-me minhas vestes vergonhosas.

Beijo o preciosíssimo sudário de que te revestiste para envolver-me na veste dos teus filhos adotivos.

Beijo o túmulo no qual inauguraste o mistério da minha ressurreição e me precedeste pela estrada que sai do Hades.

Beijo aquela pedra com a qual me tiraste o peso do medo da morte.

Texto grego in PG 100, 1488-1489. Trad. ir. in W. AA., Testi mariani demillennio,
vol. lI, Città Nuova, Roma, 1989, p. 763.
Fonte: GHARIB, Georges. Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

VIRGINDADE PERPÉTUA DE MARIA, MÃE DE JESUS CRISTO

VIRGINDADE
PERPÉTUA DE MARIA, MÃE DE JESUS CRISTO

O que significa este dogma? Trata-se de uma "invenção" da Igreja ou possui fundamento bíblico e histórico? Maria, mãe de Jesus, teve outros filhos? Quem eram os irmãos de Jesus, citados na Bíblia?

PARA NÓS, católicos, “Jesus é o único filho de Maria.” (CIC §501). Cremos que Jesus não teve irmãos de sangue, e isso testemunha o dogma da Perpétua Virgindade de Maria. Mas esta verdade de fé é muito contestada por “evangélicos” que, lendo superficialmente o Evangelho, encontram trechos aparentemente incompatíveis e menções aos "irmãos de Jesus". Vejamos o que diz O Evangelho segundo S. Mateus:
“Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? Não vivem entre nós todas as suas irmãs?” (Mt 13,55-56).

Sim, o texto sagrado cita "irmãos de Jesus", e em outras passagens ainda revela os seus nomes: Tiago, José, Simão e Judas. A versão de S. Marcos também nomeia os ditos irmãos de Jesus (Mc 6,3), e o Evangelho segundo S. Lucas diz: “Vieram ter com ele sua mãe e seus irmãos...” (Lc 8,19). Já o 4º Evangelho (S. João) relata: “Depois disto desceu Ele para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos” (Jo 2,12). Também nos Atos dos Apóstolos encontramos referências aos irmãos de Jesus: “...Perseveraram unânimes em oração, com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os seus irmãos” (At 1,14).

E agora? Como podemos crer ainda na virgindade perpétua de Maria, se as Escrituras são tão claras em afirmar que o Senhor tinha irmãos?

Como sabemos, as passagens citadas acima são sempre usadas para atacar a fé dos católicos, e provocam mesmo confusão: Jesus teve mesmo irmãos de sangue? Acontece que a resposta nos é dada pela própria Bíblia Sagrada. Vejamos...

Como visto, os irmãos de Jesus seriam Tiago, José, Judas e Simão. – Mas, seriam eles filhos de Maria e de José? A resposta é não, não eram. Os Evangelhos testemunham que todos eles tinham outro pai e outra mãe. Pesquisando, vemos que a Bíblia cita dois Tiagos: um é filho de Alfeu (Cléofas), e outro é filho de Zebedeu. Lemos em S. Mateus (atenção para os grifos):
“Eis os nomes dos doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.” (Mt 10,2-3)

E S. Mateus ainda nos revela o nome da mãe de Tiago e de José: “Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu" (Mt 27,55-56).

Vemos então que Alfeu (Cléofas) era o pai de Tiago e de José, os mesmos que são chamados "irmãos de Jesus". A mãe deles se chamava, sim, Maria, um nome que já era comum naquele tempo. Essa Maria era a mãe de Jesus? Não. Sabemos isso com certeza porque o Evangelho segundo S. João mostra esta Maria ao lado da Virgem Maria, mãe de Jesus, na hora da crucificação: “Junto à cruz estavam a mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena.” (Jo 19,25).

Se a Mãe de Jesus estava junto com Maria de Cléofas, que era a mãe de Tiago e José, então sabemos, sem nenhuma dúvida, que não se trata da mesma pessoa. E vemos que João chama à outra Maria de “irmã da mãe de Jesus”: “...a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas...”.

Logo, se o que o Evangelho diz é verdade (como católicos, cremos que é) está demonstrado que Maria de Cléofas era irmã da Maria mãe de Jesus, Nossa Senhora. Logo, segundo a Bíblia, Tiago e José, que são chamados irmãos de Jesus, eram na realidade seus primos.

Acabamos de provar que, na linguagem bíblica, o termo "irmão" pode designar parentesco, e não que quer dizer, necessariamente, que duas pessoas sejam filhas do mesmo pai e da mesma mãe.

Mas e quanto a Judas Tadeu, que também é citado na lista dos “irmãos de Jesus”? Este caso é bem interessante, porque o próprio S. Judas esclarece a dúvida, logo no início da sua Epístola, quando se apresenta: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago...” (Jd 1,1).

Portanto, S. Tiago, – que é diversas vezes chamado também de "irmão de Jesus", – assim como José e Judas, eram irmãos de sangue entre si, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, e eram sobrinhos de Nossa Senhora; logo, eram primos de Jesus. Fica aqui "biblicamente provado" o costume dos autores dos Evangelhos de se referir a primos e primas, ou em alguns casos até a parentes mais distantes, como "irmãos".

Quanto a Simão, contamos com os registros históricos de Hesegipo, historiador do primeiro século (que possivelmente conheceu os descendentes dessas pessoas) que incluem Simão entre os filhos de Maria e Alfeu. – E por que, exatamente, a Bíblia chama essas pessoas de “irmãos de Jesus”? É bem simples: são chamados “irmãos” porque na língua hebraica falada na época não havia um termo específico para “primos”. Nos textos originais, a grafia AH é empregada para designar parentes de até segundo grau.
Além de tudo isso, muitas outras evidências demonstram que a Sagrada Família de Nazaré era composta por três membros apenas, Jesus, Maria e José, como no início do Evangelho segundo Lucas, que traz a passagem em que Jesus é encontrado no Templo de Jerusalém, aos 12 anos, pregando aos doutores. De acordo com a lei judaica, toda a família devia peregrinar a Jerusalém, na Páscoa (conf. Dt 16,1-6; 2Cr 30,1-20; 35,1-19; 2Rs 23,21-23; Esd 6,19-22). E vemos que somente José, Maria e Jesus foram a Jerusalém. Maria afirma que somente ela e José procuraram Jesus, quando se perderam dele: “Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura” (Lc 1,48). Se houvessem irmãos de Jesus, seriam mencionados aqui, mas não são. Outros filhos não são mencionados entre os integrantes da Sagrada Família, em nenhuma passagem da Bíblia.

Outro trecho bíblico que prova que Maria não tinha outros filhos: no momento da crucificação, em meio às terríveis dores, Jesus confere ao discípulo João a tarefa de acolher Maria em sua casa (Jo 19,27). Se Jesus tivesse irmãos de sangue, ele não deixaria sua mãe com João, até porque a Lei mandava que, no caso da morte do filho mais velho, o irmão mais moço deveria assumir os cuidados da mãe. Como Jesus não tinha irmãos, deixou sua mãe com João. Mais uma vez, está na Bíblia.

Outras contestações

1. Há um outro trecho, do Evangelho segundo S. Mateus, que também é usado pelos que contestam a virgindade perpétua de Maria, que diz: “(José) a recebeu (Maria) em sua casa sua esposa; e não a conheceu até que ela deu à luz o Filho” (Mt 1,25). – Alguns querem ver aí uma insinuação de que José e Maria não coabitaram no período da gravidez, mas que depois disso tiveram uma vida conjugal normal.

Ocorre, porém, que a palavra do texto original traduzida por “até” não tem essa conotação. Para tirarmos as dúvidas, basta observar que se trata do mesmo vocábulo usado em 2Samuel (6, 23), que diz o seguinte: “Mical, filha de Saul, não teve filhos até o dia de sua morte”. Fica bem demonstrado que, no contexto que estamos estudando, a preposição “até” pode indicar continuidade. Mical não teve filhos até a morte. E será que depois da morte ela teve filhos? Óbvio que não. A palavra “até”, aqui, sugere que a situação de Mical permaneceu a mesma depois da morte. O mesmo vale para a sentença “José não a conheceu até que ela deu à luz o Filho”. Virgem antes, permaneceu depois, assim como Mical não teve filhos até a morte, e, evidente, nem depois.

2. "Jesus, o Filho primogênito" – Outra contestação recorrente é aquela que se baseia, mais uma vez, na interpretação equivocada de um único adjetivo: "primogênito". Porque e Evangelho segundo S. Lucas diz que Jesus foi o primogênito, alguns são rápidos em supor que Maria teve outros filhos. Será?
Vamos entender muito bem o que isso quer dizer: o Evangelho diz: "Maria deu à Luz seu Filho primogênito" (Lc 2,7). Como sabemos, a palavra "primogênito" significa primeiro filho, e apenas isto, podendo esse primeiro ser filho único ou não. Segundo o estudo da filologia, na época da redação dos Evangelhos a palavra "primogênito" significava, literalmente, "o filho que abriu o útero". Assim, no Livro de Números (Nm 3,40), lemos: "O Senhor disse a Moisés: 'Faze o recenseamento de todos os primogênitos varões entre os israelitas, da idade de um mês para cima, e o levantamento dos seus nomes'".

Se a palavra primogênito indicasse a existência de outros irmãos, como poderiam haver primogênitos "da idade de um mês para cima"? Claro que os bebês de poucos meses, sendo os primeiros filhos, não tinham nenhum irmão. Mesmo assim, são chamados primogênitos. Muito simples.
Um outro exemplo está no Livro do Êxodo: "E morrerá todo primogênito na terra do Egito, desde o primogênito do Faraó, que deveria assentar-se no seu trono, até o primogênito do escravo que faz girar a mó, assim como todo primogênito dos animais" (Ex 11,5).
O Faraó tinha um único filho, – e este é chamado primogênito. – Mais uma vez fica claramente demonstrado que o fato de Jesus ser chamado primogênito não implica que Maria tenha dado à luz outros filhos, simplesmente porque filho único também é primogênito; também é aquele "que abre o útero". Em lugar absolutamente nenhum da Bíblia está escrito que Maria, mãe de Jesus, teve outros filhos, ao contrário: todo o contexto do Livro Sagrado indica que Jesus foi seu único Filho.

** Para encerrar, lembramos que a Virgindade Perpétua de Maria não é fé somente católica. Os cristãos ortodoxos professam a mesma convicção, e até os islâmicos. E assim, também, os chamados reformadores protestantes, que terminaram por dar origem àquelas que hoje são chamadas “igrejas evangélicas”, deram deste dogma o seu testemunho, como vemos, por exemplo, nos escritos do próprio Lutero:

“O Filho de Deus se fez homem, concebido do Espírito Santo, sem o auxílio de varão, a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem.” (Martinho Lutero, “Artigos da Doutrina Cristã”)
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• Ref. bibliográfica:
MADROS, Peter H. Fé e Escritura - 2ª ed. São Paulo: Loyola, 1989, pp. 140-153
ofielcatolico.blogspot.com

FELIZ DAQUELA QUE ACREDITOU

FELIZ DAQUELA QUE ACREDITOU (cf. Lc 1, 45)
trecho da CARTA ENCÍCLICA, LUMEN FIDEI, DO SUMO PONTÍFICE FRANCISCO


 58. Na parábola do semeador, São Lucas refere estas palavras com que o Senhor explica o significado da « terra boa »: « São aqueles que, tendo ouvido a palavra com um coração bom e virtuoso, conservam-na e dão fruto com a sua perseverança » (Lc 8, 15). No contexto do Evangelho de Lucas, a menção do coração bom e virtuoso, em referência à Palavra ouvida e conservada, pode constituir um retrato implícito da fé da Virgem Maria; o próprio evangelista nos fala da memória de Maria, dizendo que conservava no coração tudo aquilo que ouvia e via, de modo que a Palavra produzisse fruto na sua vida. A Mãe do Senhor é ícone perfeito da fé, como dirá Santa Isabel: « Feliz de ti que acreditaste » (Lc 1, 45)

Em Maria, Filha de Sião, tem cumprimento a longa história de fé do Antigo Testamento, com a narração de tantas mulheres fiéis a começar por Sara; mulheres que eram, juntamente com os Patriarcas, o lugar onde a promessa de Deus se cumpria e a vida nova desabrochava. Na plenitude dos tempos, a Palavra de Deus dirigiu-se a Maria, e Ela acolheu-a com todo o seu ser, no seu coração, para que n’Ela tomasse carne e nascesse como luz para os homens. O mártir São Justino, na obra Diálogo com Trifão, tem uma expressão significativa ao dizer que Maria, quando aceitou a mensagem do Anjo, concebeu « fé e alegria ».[49] De facto, na Mãe de Jesus, a fé mostrou-se cheia de fruto e, quando a nossa vida espiritual dá fruto, enchemo-nos de alegria, que é o sinal mais claro da grandeza da fé. Na sua vida, Maria realizou a peregrinação da fé seguindo o seu Filho.[50] Assim, em Maria, o caminho de fé do Antigo Testamento foi assumido no seguimento de Jesus e deixa-se transformar por Ele, entrando no olhar próprio do Filho de Deus encarnado. 

 59. Podemos dizer que, na Bem-aventurada Virgem Maria, se cumpre aquilo em que insisti anteriormente, isto é, que o crente se envolve todo na sua confissão de fé. Pelo seu vínculo com Jesus, Maria está intimamente associada com aquilo que acreditamos. Na concepção virginal de Maria, temos um sinal claro da filiação divina de Cristo: a origem eterna de Cristo está no Pai — Ele é o Filho em sentido total e único — e por isso nasce, no tempo, sem intervenção do homem. Sendo Filho, Jesus pode trazer ao mundo um novo início e uma nova luz, a plenitude do amor fiel de Deus que Se entrega aos homens. Por outro lado, a verdadeira maternidade de Maria garantiu, ao Filho de Deus, uma verdadeira história humana, uma verdadeira carne na qual morrerá na cruz e ressuscitará dos mortos. Maria acompanhá-Lo-á até à cruz (cf. Jo 19, 25), donde a sua maternidade se estenderá a todo o discípulo de seu Filho (cf. Jo 19, 26-27). Estará presente também no Cenáculo, depois da ressurreição e ascensão de Jesus, para implorar com os Apóstolos o dom do Espírito (cf. Act 1, 14). O movimento de amor entre o Pai e o Filho no Espírito percorreu a nossa história; Cristo atrai-nos a Si para nos poder salvar (cf. Jo 12, 32). No centro da fé, encontra-se a confissão de Jesus, Filho de Deus, nascido de mulher, que nos introduz, pelo dom do Espírito Santo, na filiação adoptiva (cf. Gl 4, 4-6).

 60. A Maria, Mãe da Igreja e Mãe da nossa fé, nos dirigimos, rezando-Lhe: Ajudai, ó Mãe, a nossa fé. Abri o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada. Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa. Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-Lo com a fé. Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer. Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado. Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho. Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz no nosso caminho. E que esta luz da fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Testemunho João Marcos ex-protestante

Sempre fui cristão. Fui batizado na Igreja Católica quando eu era um bebê. Por volta dos meus 06 anos, eu e minha família fomos para a igreja protestante. Desde então, minha família frequentou inúmeras denominações, quase todas tradicionais, e nunca mais tive contato com o catolicismo.

A Idade das Trevas
Com o advento do Facebook logo me envolvi em discussões com ateus. Não tardou em aparecer o famoso argumento da Idade das Trevas: durante o período de mil anos entre 500-1500 a Igreja Católica oprimiu o Ocidente através do misticismo e da ocultação do conhecimento, além de perseguir oponentes por meio da Inquisição. Isto bastava para comprovar que a religião, especialmente o Cristianismo, está na contramão do progresso, da ciência e da liberdade individual.

Sendo cristão é meu dever conhecer e testemunhar da verdade. Então comecei a estudar a tal Idade das Trevas para verificar se a Igreja foi responsável por tamanha crueldade. Pobre de mim! Descobri que aconteceu exatamente o contrário: num milênio de caos, fragmentação política, invasões de povos selvagens e peste, a Igreja foi a única instituição ocidental a manter-se estável, um verdadeiro porto seguro. O conhecimento da época dos gregos e romanos foi preservado através de muito trabalho dos clérigos católicos, como por exemplo os monges copistas, responsáveis por copiar livros inteiros à mão. Em vez de combater a ciência, a Igreja foi por muitos séculos a única instituição a fomentar o desenvolvimento científico na Europa. Ela foi a criadora das universidades, seus clérigos traduziram muitas obras da época romana e grega, além de permitir que debates acalorados com pensadores de outras culturas acontecessem dentro das suas universidades.


O historiador protestante Phillip Schaff afirma: “Para vergonha das igrejas protestantes, a intolerância religiosa e até a condenação à morte continuaram muito tempo depois da Reforma. Em Genebra esta perniciosa teoria foi posta em prática pelo estado e pela igreja, admitindo até mesmo o uso de tortura e do testemunho de crianças contra seus próprios pais, com a autorização de Calvino. Bullinger, na Segunda Confissão Helvética, anunciou o princípio pelo qual a heresia poderia ser punida como os crimes de assassinato ou traição.”
Para encerrar este assunto, a própria Igreja admitiu os abusos cometidos na Inquisição. Tanto que ela abriu os arquivos da Inquisição a um grupo de 30 historiadores reconhecidos internacionalmente, para que eles investigassem os fatos.

Estudando a Fé

Este estudo sobre o papel essencial da Igreja Católica na Idade Média fez com que eu a admirasse. Mas isso era só o começo.

No início de 2015 decidi então conhecer a fé católica. Se o papel histórico da Igreja Católica na Idade Média foi muito diferente do que me ensinaram, será que a fé católica não me surpreenderia também? Isto eu precisava conferir.

Ao entender isto, fica fácil entender também porque os católicos devotam tantas orações e cerimônias aos santos em geral e à Maria em particular. Eles não acreditam que os santos são deuses e sim que os santos, hoje no Céu, são excelentes intercessores dos simples cristãos que estão aqui. Recomendo ler o que ensina oficialmente a Igreja a respeito de Maria.

Quanto à famosa Inquisição minha surpresa foi ainda maior: aproximadamente 2000 pessoas foram condenadas à morte pelos Tribunais da Inquisição medievais (1231-1400 dC). Durante as inquisições da Espanha e Portugal, as mais violentas, 6000 pessoas morreram nos 500 anos de duração dos tribunais eclesiásticos ibéricos. Considerando a população ibérica e europeia nos níveis da Idade Média (bem baixos, o que aumentará a proporção que mostrarei a seguir, de forma a mostrar ao leitor o “pior caso” da Inquisição), temos que a pior inquisição, a ibérica (de Portugal e Espanha) condenou à morte 17 pessoas a cada 100 mil habitantes, por ano. A inquisição medieval, mais branda, condenou à morte 0,08 pessoa a cada 100 mil habitantes, por ano. Só para comparar, no Brasil 22 a cada 100 mil habitantes morreram em acidentes de trânsito e 2,55 pessoas a cada 100 mil habitantes morreram por afogamento.

Não se trata da tática de justificar um erro apontando o erro dos outros. Tortura é inaceitável sob qualquer ponto de vista. No entanto, devemos ser justos e agir com a mesma rigidez no caso dos morticínios realizados por outros grupos, como os protestantes (veja o caso dos Anabatistas e a caça às bruxas - fenômeno exclusivamente protestante), islâmicos (preciso comentar?) e ateus - durante a Revolução Francesa, que nos ensinam ter sido fundamentada nos princípios de “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”, foram mortas 140 mil pessoas em cinco anos. Quer dizer, uma revolução de cunho ateu matou 100 pessoas a cada 100 mil habitantes por ano,matando 05 vezes mais gente do que a pior inquisição (só pra constar, no Brasil morreram 28 pessoas a cada 100 mil habitantes por homicídio em 2013 - a Revolução Francesa matou 03x mais que os criminosos brasileiros).

Escolhi livros que explicassem a fé católica ao público protestante e testemunhos de conversões de protestantes ao catolicismo. Eu li estes: Catholicism for Protestants – Shane Shaetzel, Rome Sweet Home – Scott e Kimberly Hahn (encontrado no Brasil sob o título Todos os Caminhos levam a Roma), Born Fundamentalist. Born Again Catholic – David Currie, e A Fé Explicada – Pe. Leo J. Trese. Todos os conceitos mencionados daqui em diante foram exaustivamente explicados nesses livros.

Da minha experiência pessoal, creio que os principais problemas dos protestantes/evangélicos com o Catolicismo são a veneração dos santos e de Maria. Existem outros pontos de conflito, mas estes dois são os primeiros que surgem à mente do protestante comum.

Naturalmente, estes foram os primeiros problemas que procurei por explicações. Trata-se da Intercessão dos Santos. Por que o católico reza a Maria e aos santos? Isso não é idolatria? Não. O católico não considera a oração uma forma de adoração. Da mesma forma que pedimos oração a outros irmãos da igreja, o católico pede oração a pessoas que viveram vidas extraordinárias aqui e que agora estão vivas no Céu, diante de Deus.

Especificamente no caso de Maria, a mãe de Deus, creio que grande parte do problema protestante se resolva ao compreender como os católicos entendem a Intercessão dos Santos. Só resta acrescentar que ao católico é dogma de fé que Maria é a criatura mais santa dentre todas as criaturas de Deus. Os motivos dela ser assim considerada estão nos documentos da doutrina católica, e o estudo das doutrinas marianas chama-se Mariologia. Temos então o seguinte raciocínio:

1) A oração dos santos é mais eficaz porque eles estão em plena comunhão com Deus, no Céu.

2) Maria é a mais santa dentre todos os santos. Além disso, tem ligação íntima com Cristo, a ligação entre mãe e filho.

3) Logo (aceitas as premissas 01 e 02), é razoável pedir que Maria interceda por mim diante de Cristo.

O último conceito que é útil estudar para entender os católicos neste assunto dos santos é a diferença entre adoração e veneração. Adoração é o culto prestado unicamente a Deus. Assim como na Bíblia, o católico acredita que não existe verdadeira adoração sem oferecimento de sacrifício, que é o que acontece na Missa. O católico só oferece sacrifícios a Deus. Já a veneração é uma forma de prestar homenagem, uma demonstração pública de respeito. Da mesma que homenageamos grandes personalidades políticas, artísticas ou dos negócios, o católico homenageia, dentro do contexto cristão, aqueles que viveram vidas exemplares.

1) Onde a Bíblia diz que eu devo provar alguma coisa pela Bíblia?

2) Por que a minha interpretação da Bíblia (em meu caso, fundamentando a doutrina católica) está errada e a sua correta? Eu também estou me guiando pela Bíblia, nós só discordamos no que ela quer dizer.

3) Talvez você não está compreendendo o signifcado correto da Bíblia. Um exemplo: se eu lhe escrever o seguinte bilhete: “Eu não disse que você roubou dinheiro.” você conseguiria entendê-lo? Parece que sim, mas uma frase de 07 palavras pode ter vários significados. Pode ser que EU não disse que você roubou dinheiro, mas alguém disse. Pode ser que eu não DISSE, mas posso ter escrito ou pensado que você roubou dinheiro. Pode ser que eu não disse que VOCÊ roubou dinheiro, posso ter falado de outra pessoa. Pode ser que eu não disse que você ROUBOU dinheiro, você pode ter perdido ou queimado dinheiro. Pode ser que eu não disse que você roubou DINHEIRO, você pode ter roubado outra coisa. Uma simples frase de 07 palavras tem pelo menos cinco significados diferentes, a depender da ênfase dada a cada palavra. Agora me responda: não é a Bíblia muito mais complicada que uma frase de 07 palavras?

4) O que está em confronto não é o que a Bíblia ensina, mas o que nós interpretamos da Biblia.

5)  De onde vieram os livros do Novo Testamento? Como eles foram parar na Bíblia? Quem afirma rejeitar a Tradição porque segue apenas a Bíblia não pode fazer isso, porque foi a própria Tradição católica quem escolheu quais livros pertencem ao Novo Testamento. Em lugar algum a Bíblia diz quais livros fazem parte dela. Então, o simples fato de ser “biblista” só é possível graças à Tradição católica.

Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja tem 2 mil anos de idade e já estudou profundamente os Mandamentos de Moisés, em especial os dois primeiros (sobre a idolatria e imagens).

Então, a meu ver, se é ilícito venerar os santos e encomendar-lhes orações, então é muito mais ilícito homenagear qualquer pessoa desta terra, ou pedir que algum irmão ore por mim. Se os santos, que viveram unicamente para Cristo, são indignos de homenagem, quão dignos seremos nós, meros mortais que não conseguem passar 01 dia se sacrificando por Deus?

Alguns dizem que essa veneração aos santos  diminui a glória devida a Deus. De forma alguma! Os santos só são lembrados por suas vidas heroicas porque Deus os ajudou com as graças necessárias para tanto. A diferença dos santos e de nós, meros mortais, é que eles responderam ao chamado de Deus de forma mais perfeita. Ou seja, a glória dos santos é a glória de Deus.

Existem muitos bons livros dedicados a explicar a devoção mariana, seu surgimento e desenvolvimento na História e porque ela não é uma forma de idolatria. Recomendo três livros que tratam toda essa questão num único volume: Behold your Mother - Tim Staples (aqui); Mary, Mother of the Son - Mark Shea (aqui) e The Marian Mystery: Outline of a Mariology - Denis Farkasfalvy (aqui). Estes livros demonstram que já nos primeiros séculos de Cristianismo havia devoção à Mãe de Deus.

Do motivo de não continuar protestante

Entender essas práticas católicas serviria apenas para desmistificar minha visão do catolicismo. Eu já começava a ser justo com a Igreja. No entanto, somente quando estudei e refleti sobre 02 assuntos que não costumam ocupar o primeiro lugar na lista de problemas dos evangélicos com os católicos que fiquei numa posição insustentável, levando-me a tomar a decisão sobre minha fé.

O principal fundamento teológico do Protestantismo, isto é, de todas as denominações não-católicas que surgiram a partir do ano 1500 é o Sola Scriptura. Este princípio ensina que “somente a Escritura é a suprema autoridade em matéria de vida e doutrina; só ela é o árbitro de todas as controvérsias. É ele que justifica a famosa pergunta dos evangélicos “onde isso está na Bíblia?” Esta é a pergunta que os católicos mais escutam dos protestantes.

O grande problema com o Sola Scriptura é que ele mesmo não é bíblico. Você leu isso mesmo. O princípio que afirma que a Bíblia é a única autoridade em matéria de fé não é bíblico. Não precisa acreditar em mim. Procure na Bíblia. Pergunte a qualquer teólogo protestante em qual parte da Bíblia está o Sola Scriptura. Ele não saberá responder. O que me deixou mais chocado foi descobrir que o Sola Scriptura é simplesmente aceito um axioma, uma ideia que não precisa de provas (é irônico os protestantes acusarem os católicos de dogmáticos quando a base da crença protestante é o dogma sem fundamento). E isso não sou eu quem diz: “Existem evidências internas e externas da inspiração e divina autoridade das Escrituras, mas estes atributos não são passíveis de 'prova'. A única evidência que importa é o “testemunho interno do Espírito” no coração do leitor. Ênfase de Calvino: 'A menos que haja essa certeza [pelo testemunho do Espírito], que é maior e mais forte que qualquer juízo humano, será fútil defender a autoridade da Escritura através de argumentos, ou apoiá-la com o consenso da Igreja, ou fortalecê-la com outros auxílios. A menos que seja posto este fundamento, ela sempre permanecerá incerta' (8.1.71). . Ou seja, a “prova” que uma interpretação particular da Bíblia é inspirada por Deus é uma “certeza maior e mais forte que qualquer juízo humano”. Basta se sentir certo para estar certo. Já pensou fazer isso num vestibular?

Tome a seguinte afirmação: “Não existe verdade”. Quando alguém afirma isso já se contradiz, porque essa mesma frase é em si mesma uma verdade. Na verdade, o que a pessoa quis dizer é: “Não existe verdade – exceto esta aqui”. É um princípio arbitrário, afinal, só é verdade porque quem o enuncia diz que é verdade. Um princípio falho em si mesmo não pode ser verdade. É o mesmo problema do Sola Scriptura.

O Sola Scriptura não encontra fundamentação bíblica e também histórica. Os cristãos primitivos, aqueles que viveram nos primeiros 300 anos depois de Cristo, nunca pronunciaram o Sola Scriptura, pelo contrário. Todos acreditavam na necessidade de existir uma autoridade central, outorgada pelo próprio Cristo, para interpretar as Escrituras. Um exemplo famoso (mas não o único) é o de Santo Agostinho: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica. Não há nenhum registro dos primeiros cristãos afirmando que as Escrituras são a única e suprema autoridade na fé, e você verá o motivo logo abaixo.

Nos primeiros 300 anos de Cristianismo não existia Bíblia. É isso mesmo. O cânon, o conjunto dos livros cristãos que formaram a Bíblia, só foi definido entre 367-405 dC (curiosamente, até um historiador protestante reconhece estas datas). Durante todo esse período em que não existia uma Bíblia, qual foi a autoridade suprema dos cristãos em matéria de fé?  E pior: até a invenção da imprensa em 1455 pouquíssimos livros estavam em circulação, porque eram de difícil produção. Assim, a quem os cristãos podiam recorrer durante 1400 anos, já que poucos deles tinham os meios de acesso às Escrituras?
Além disso, “pelos frutos os conhecereis”: hoje existem milhares de denominações protestantes , e cada uma delas alega possuir a “verdadeira interpretação” das Escrituras. Quem está falando a verdade? Qual é a verdadeira fé e a verdadeira igreja? Qual o modo correto de interpretar a Bíblia? O que vale pra hoje e o que não vale mais?
Para ilustrar a fragilidade do Sola Scriptura, permita-me elencar 05 pontos levantados neste vídeo: https://youtu.be/jUceKg5H8NY

A Bíblia não caiu do Céu. Durante quase 400 anos os cristãos lutaram para reconhecer, aos poucos, os livros inspirados, até que concílios católicos, compostos por bispos católicos, definiram os livros da Bíblia. Foi a autoridade da Igreja que encerrou a discussão sobre os livros inspirados.

Então, para encerrar este assunto, o Sola Scriptura: não é bíblico, não é lógico, não é histórico e teve consequências catastróficas para o Cristianismo. Foi um conceito inventado depois de 1500 anos de Cristianismo. Sendo assim, é no mínimo questão de prudência considerar que a posição católica (de acreditar na autoridade da Bíblia, mas também na da Tradição conservada pela Igreja Católica) é plausível. Não estou pedindo para você se converter, apenas para reconhecer que não é absurdo a Palavra de Deus não se restringir a um livro. Isto é o mínimo que se espera de alguém honesto.

Ademais, o problema do Sola Scriptura é discutido exaustivamente por muitos autores católicos. Vale a pena constatar que o “só vale o que está na Bíblia” não é novo nem surpreende os católicos.

Diante de tudo isso, eu não podia mais aceitar o fundamento do Protestantismo, o Sola Scriptura. A Bíblia sozinha não é suficiente para resolver todos os conflitos da vida cristã. Simplesmente havia coisas demais que eram “deduzidas” (eu prefiro dizer “inventadas”) no calor do momento de uma época. Isso sem mencionar que a Bíblia é uma coleção de livros complexa demais para que um fiel comum, sem condições de estudar grego, latim, hebraico , aramaico, filosofia e teologia, pudesse interpretar de forma mais correta que o corpo de toda a Tradição cristã de 2 mil anos. Seria muita arrogância. Foi nesse momento que eu, pelo menos em consciência, deixei o Protestantismo.

Rome, Sweet Home

Deixar o Protestantismo e todas as denominações protestantes é uma coisa. No entanto, faltava um motivo claro e inegável para eu escolher a Igreja Católica. Este motivo foi a Eucaristia.

A Eucaristia é centro de toda a fé católica. Com muita distância, parece com a “Santa Ceia” dos protestantes, porém muito mais carregada de sentido e importância: o católico acredita que na Eucaristia o pão e o vinho se transformam, milagrosamente, no corpo e no sangue de Cristo. Assim, podemos dizer com razão que o católico “absorve” o próprio Cristo, presente de maneira real na celebração da Eucaristia. Loucura? Canibalismo? Essas acusações não são novas.

No Evangelho de João, capítulo 06, o próprio Cristo profere estas palavras: “Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.” (João 6:53-57). Logo em seguida, pela primeira vez em seu ministério, Jesus perde discípulos por causa de um ensinamento. Eles consideraram essas palavras de Jesus “muito duras” (vs 60).

A resposta de todo protestante é alegar que Jesus disse essas palavras no sentido figurado, isto é, comer a carne e beber Seu sangue seria um símbolo. O problema com essa versão é que ela faz de Jesus um insensível que gostava de induzir seus seguidores ao erro e à blasfêmia. Explico.

Em todo o Evangelho (nos 04 livros, Mateus, Marcos, Lucas e João) Jesus Cristo fez questão de explicar o significado de suas palavras quando falava por meio de linguagem simbólica, ou em parábolas. Veja no caso do “nascer de novo” a Nicodemos (João 3) e em todas as parábolas (semeador, joio e trigo, videira, talentos, etc). Jesus Cristo, sendo Deus, não pode induzir outros ao erro, ao pecado gravíssimo da blasfêmia. No entanto, justamente no caso da Eucaristia, Ele se calou. O único cenário que justifica Jesus permitir que vários dos seus discípulos O abandonassem é por ter dito exatamente o que Ele quis dizer. Não há forma mais clara de dizer que deveríamos beber Seu sangue e comer Sua carne.
Além da evidência do próprio Cristo, há a evidência histórica: já os primeiros apóstolos, e seus primeiros sucessores, acreditavam que Jesus estava realmente presente no pão e no vinho da Ceia. É por isso que Paulo fez a famosa advertência em 1 Coríntios 11:29: “Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.” É pecado grave participar da Ceia sem discernir ali o corpo de Cristo.

Os protestantes insistem em dizer que a Ceia é apenas um memorial, uma cerimônia para lembrarmos de Cristo, e que consequentemente o pão e o vinho são símbolos de Cristo. No entanto, os primeiros cristãos já igualavam o corpo de Cristo na Cruz ao corpo de Cristo na Eucaristia Tornar o corpo de Cristo na Ceia simbólico é tornar a Crucificação simbólica.

Essas e outras provas a favor da Presença Real de Cristo na Eucaristia estão muito bem explicadas nos livros que eu grifei no meio deste relato.

Sabendo que o Cristo, capaz de sofrer uma morte cheia de torturas por nós, não seria capaz de perder discípulos por causa de uma confusão de palavras, eu não tenho motivos para acreditar em outra coisa que não seja o sentido literal das palavras de Jesus: que precisamos comer Sua carne e beber Seu sangue para ter vida em nós. E conhecendo que na Igreja Católica eu poderei participar do banquete do próprio Cristo, o Noivo, o Cordeiro, e que Ele, Deus encarnado, encontra-se fisicamente presente na Santa Missa, somente o orgulho obstinado poderia servir de motivo para não me render à Igreja Católica Apostólica Romana.

O que mais eu deveria fazer se soubesse que Jesus Cristo está fisicamente presente em algum lugar?
E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mateus 28:20)

Este é o breve relato dos motivos da minha conversão ao Catolicismo. Não tenho a intenção de torná-lo um tratado religioso ou histórico sobre a fé católica e, por essa razão, não tratei de outros temas de conflito com protestantes. Pra isso existem centenas de (bons) livros, e eu posso indicar alguns ao leitor interessado e honesto, o primeiro deles é o “manual” católico, o Catecismo da Igreja Católica. Por fim, que estas palavras sejam acolhidas em terreno fértil, para que produzam muitos frutos para a glória de Deus, nosso Pai.

Em Cristo Jesus Nosso Senhor,

Olímpia, São Paulo,28.07.2015
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Atualizei o relato com novas fontes de consulta hoje, 20/11/2015. Enfatizei o Catecismo da Igreja porque ali está a doutrina oficial da Igreja Católica, explicada de forma simples, com muitas referências à Bíblia (!) e aos cristãos primitivos. Se todos consultassem o que a Igreja ensina de verdade muitas dúvidas e acusações não existiriam. Proponho um roteiro de leituras para entender o que ensina a Igreja Católica, e conhecer a “visão do outro lado” diante de tantas acusações (de idolatria até conspiração contra o progresso). Espero que estes livros sejam apenas o início das suas investigações para descobrir qual é a Igreja que Cristo fundou.

Respondendo dúvidas protestantes: As diferenças entre a Igreja Católica e as evangélicas - Jaime Moura (aqui), Em defesa da fé católica nas questões mais difíceis - Alessandro Lima (aqui) e o excelente (foi o primeiro livro sobre a fé católica que eu li) Catholicism for Protestants - Shane Shaetzel (aqui). Neste livro o autor, católico bem no meio do Bible Belt (a região mais protestante dos EUA), responde de maneira curta, organizada e dentro da doutrina católica às dúvidas levantadas pelos protestantes. É um excelente material para começar a remover preconceitos sobre a Igreja.

2.História da Igreja: Coleção História da Igreja - Daniel-Rops (10 volumes, aqui), além dos livros já citados no meio do relato.

3.Testemunhos de convertidos à Igreja Católica: eu sempre achei que só pessoas burras ou desonestas permaneceriam ou se converteriam à Igreja Católica. Estava redondamente enganado. E foi só depois que eu saí do meio é que percebi como a grande maioria dos protestantes ainda pensa isso dos católicos. Espero que estes livros ajudem a desmistificar a noção que têm dos católicos. Porque estes protestantes se tornaram católicos - Jaime Moura (aqui); Todos os caminhos levam a Roma - Scott e Kimberly Hahn (aqui); Surprised by Truth: 11 Converts Give the Biblical and Historical Reasons for Becoming Catholic (aqui); Surprised by Truth 2: 15 Men and Women Give the Biblical and Historical Reasons For Becoming Catholic (aqui); Surprised by Truth 3: 10 More Converts Explain the Biblical and Historical Reasons for Becoming Catholic (aqui), toda a série de autoria do Patrick Madrid; o testemunho brilhante da conversão do Fábio Salgado à Igreja (cheio de dicas de livros, aqui); Lista de 201 ex-protestantes conversos ao Catolicismo (aqui); Todos os membros da Igreja Cristã Maranatha (Detroit) se convertem ao Catolicismo (aqui);. Com esses testemunhos espero que o leitor entenda que pessoas com motivos sérios, fundamentados, e com uma prática de vida piedosa, escolheram a Igreja Católica. Não é uma escolha por conveniência, malícia ou ignorância. Muitas dessas pessoas perderam amigos, familiares e todo seu círculo social de uma vida inteira quando escolheram a fé católica. Todos eram cristãos estudiosos, inteligentes, conhecedores da Bíblia e ativos na vida ministerial das suas igrejas. Se meu exemplo não basta, espero então que o exemplo destes irmãos em Cristo o ajude a perceber que a fé católica não é uma mentira ou tradição de homens.

4.Católicos que mudaram de vida: uma das perguntas que me fizeram é porque é tão difícil ver um católico que muda de vida. Bom, quando estudamos Arquitetura ou Engenharia Civil não começamos pelos prédios que caíram, mas por aqueles que estão firmes até hoje. O mesmo vale para o estudo dos católicos: estuda-se primeiro aqueles que viveram a fé de forma mais perfeita e correta. Estes são os santos. Leia algumas biografias dos santos como: Saints Behaving Badly: The Cutthroats, Crooks, Trollops, Con Men, and Devil-Worshippers Who Became Saints - Thomas Craughwell (aqui); Os Santos que Abalaram o Mundo - Rene Fullop Miler (aqui); Padre Pio - Um Santo entre Nós - Renzo Allegri (aqui); História de uma Alma - autobiografia de Santa Terezinha do Menino Jesus - aqui.

5.Material extra: eu recomendo vivamente o site do Padre Paulo Ricardo como fonte da doutrina oficial católica. Lá estão vários vídeos respondendo dúvidas comuns dos cristãos protestantes, além de aulas e cursos voltados aos católicos, para crescimento em santidade e conhecimento da fé; o site do Veritatis Esplendor e o site do Apologistas Católicos. Entre os apologistas católicos que acompanho, quase todos ex-protestantes, quero destacar dois (os outros você encontrará na lista do Fábio Salgado): Scott Hahn e Dave Armstrong. Leia tudo que puder desses autores. O primeiro tem alguns livros traduzidos (encontrados aqui). O segundo é especialista em demonstrar os fundamentos bíblicos do Catolicismo (veja o site dele). Acho muito interessante seus 150 motivos porque sou católico (estão resumidos, então se você discorda de alguns pontos, busque se aprofundar no assunto - no site dele, em livros, etc).

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Fonte original testemunho completo com as notas de rodapé: https://docs.google.com/document/d/1zgF8JFtOzalXSjPKqJU2o2TG28aIBUbtDz7swdXsHYk

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