terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Maria, você sabia? Um católico responde as perguntas da música

O Grupo Pentatonix canta somente a capella, sem instrumentos

Videos com a música em várias versões:


A versão do grupo a capella Pentatonix para a canção "Mary did you know?", tem sido um fenômeno de acessos desde 3 de dezembro, já tendo atingido a marca de 14 milhões de visitas no Youtube.
Mark Shea, um ex-protestante evangélico que se  converteu á alguns anos a Igreja Católica, analisou as perguntas que são feitas na canção.
Sua conclusão é que se trata de uma boa canção para colocar a figura de Maria mais perto dos protestantes, mas que o formato das perguntas parece colocar em duvida alguns ensinamentos da Igreja, pois a Tradição e as Sagradas Escrituras são bem claras a este respeito.

Recordemos primeiro a letra da canção (traduzida para o Portugues) depois vejamos as respostas para cada pergunta numa perspectiva católica.
Maria, você sabia que o seu bebê um dia irá andar sobre as águas?
Maria, você sabia que o seu bebê irá salvar nossos filhos e filhas?
Você sabia que o seu bebê vem para te renovar?
Esta criança que você acolhe, em breve a acolherá
Maria, você sabia que o seu bebê dará visão a um cego?
Maria, você sabia que o seu bebê vai acalmar uma tempestade com a mão?
Você sabia que o seu bebê anda onde os anjos pisaram?
Quando você beija o seu pequeno bebê, você beija a face de Deus
Maria, você sabia?
O cego enxergará
O surdo ouvirá
E o morto viverá novamente
O coxo saltará
O mudo vai falar
os louvores do Cordeiro
Maria, você sabia que o seu bebê é o Senhor de toda a criação?
Maria, você sabia que o seu bebê um dia irá governar as nações?
Você sabia que o seu menino é o Cordeiro perfeito dos Céus?
Esta criança dormindo que você está segurando
É o grande Eu Sou!

Mark Shea primeiro toma algumas das perguntas (Sabia Maria que teu filho caminharia sobre as águas? Que daria a visão a um cego? Que acalmaria a tempestade com um gesto de mão?) e ele responde: "Não, Maria não é Onisciente e não podia prever cada ato particular de seu Filho. Veja a história de quando o menino estava perdido e foi achado no Templo em Lucas 2, 41-51".

Próxima pergunta: Maria, você sabia que o seu bebê iria salvar nossos filhos?

Mark Shea responde que isso sim Maria sabia: Jesus (Yeshua) significa "Deus salva". Ela mesma canta que "meu Espirito exulta em Deus meu Salvador". Sabia que todo o mundo devia ser bendito pela descendência de Abraão "conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre" Lucas 1,54-55. O nome de Jesus foi indicado pelo Anjo Gabriel: "e lhe porás o nome de Jesus" Lucas 1, 31.
A isso se poderia adicionar que Maria iria saber que um anjo havia dito a José em sonhos (seria dificil que Mateus estive-se falando de outra pessoa que não fosse a mesma Maria). "Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo.Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Mateus 1,20-21.
Se um anjo mesmo explica que "Ele salvará o seu povo de seus pecados" deixa claro que José e Maria sabiam como pergunta a canção "que teu Filho salvaria os nossos filhos".


Segue a canção: "Sabia que teu Filho viria para te renovar? Esta criança que você acolhe, em breve a acolherá"

Mark Shea comenta que Maria sim sabia que ela havia sido renovada, ao dizer que era Imaculada, sem mácula, sem pecado algum, porque o Anjo lhe havia saudado chamando a de "Kejaritomene” ou seja, “Cheia ou repleta de Graça”.

A canção pergunta:  "Sabias que quando você beija o seu pequeno bebê, você beija a face de Deus? "

Mark Shea assinala que ela sim sabia, porque o anjo tinha lhe dito: "Será chamado Filho do Altíssimo" e porque o anjo tinha avisado o que iria acontecer"O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus". Lucas 1,35.

A canção prossegue: "Maria, você sabia que o seu bebê é o Senhor de toda a criação?Maria, você sabia que o seu bebê um dia irá governar as nações?"
Mark Shea responde que María sabia por seu conhecimento do Livro de Daniel (Daniel 7,13-14) onde enumera os títulos do Messias prometido, o Filho do Homem: "A ele foram dados império, glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio será eterno; nunca cessará e o seu reino jamais será destruído".

Mais adiante, com Jesus já adulto, ela viu Ele mesmo se chamar várias vezes de "Filho do Homem".
Na verdade, o anjo na Anunciação foi bastante enfático quando disse a Maria: "Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó". Lucas 1,32.

Mark Shea considera que em alguns ambientes protestantes "Tem crescido um mito de que Maria não tinha idéia de quem era Jesus e de que ela tinha algum tipo de hostilidade com Ele".

Mark Shea responde a isso, na realidade, "ela foi o seu maior discípulo, e ela sabia que ela era a Mãe do Filho de Deus desde o início. Quanto mais cedo entendermos isso, mais cedo compreenderemos como ser discípulos também".

História da Música
A música foi escrita em 1984, por Buddy Greene. O primeiro artista a gravá-la foi Michael English, lançada em janeiro de 1992. Nos Estados Unidos é comum, no fim do ano, artistas lançarem novas gravações e interpretações de canções natalinas, que ajudam a viver bem a preparação e o tempo do Natal. O vídeo que gira o mundo é a interpretação da mesma canção pelo grupo Pentatonix, no álbum “That’s Christmas to Me”

fonte:
http://www.religionenlibertad.com/articulo.asp?idarticulo=39116
http://www.aleteia.org/pt/artes-entretenimento/video/mary-did-you-know-5846279443709952
http://www.patheos.com/blogs/markshea/2014/12/mary-did-you-know-faq.html

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Não quero pessoas que chorem, mas que cantem forte (Chiara Luce Badano)


Não quero pessoas que chorem, mas que cantem forte

Chiara Luce Badano nasceu a 29 de Outubro de 1971, em Sassello, uma pequena cidade nos Apeninos. Era a primeira e única filha de Rogero Badano, camionista e de Mª Teresa Caviglia, operária, casados há 11 anos sem conseguirem ter filhos. O pai pediu a Nossa Senhora da Rocha a graça da paternidade e viu o seu pedido atendido. A mãe testemunhava que “mesmo com essa alegria imensa compreenderam logo que ela não era somente sua filha, mas que era antes de tudo, filha de Deus". A mãe deixou de trabalhar para cuidar da filha.

Chiara revelou-se desde cedo uma criança inteligente, viva, desportiva e muito comunicativa. Era conciliadora, mas não abdicava de defender as suas ideias. Recebeu desde cedo uma sólida educação cristã, graças aos pais, mas também à sua integração na comunidade paroquial, cujo pároco lhe dá fascinantes aulas de catequese, e ainda pela influência das amizades que Chiara constrói.

Aos 9 anos participa num encontro das “Gen 3” do movimento Foccolare. Aí conhece o ideal da unidade. O Evangelho passa a ser algo dinâmico na sua vida. E decide dizer sempre Sim a Jesus. Torna-se a amiga dos últimos. Deseja partir um dia para África para “curar os meninos”.

No dia da sua primeira Comunhão recebe um livro com os Evangelhos. Ela própria comenta: "- Como para mim foi fácil aprender o alfabeto, também deve ser fácil viver o Evangelho”.

Continua os seus estudos de forma normal, sendo uma boa aluna. Frequenta o liceu clássico. Participa nas actividades do Movimento Foccolare. Mas um dia, ao jogar ténis, tinha então 17 anos, sente uma dor aguda no ombro. Inicialmente nem ela nem os médicos dão grande importância ao facto. Mas as dores continuam e são necessários exames mais profundos. O diagnóstico é devastador: sarcoma osteogénico com metástese, um dos tipos mais graves e dolorosos de tumor.

Chiara acolhe a notícia com coragem: - Eu vou vencer! Sou jovem.

Os tratamentos começam e durante eles o altruísmo de Chiara chama a atenção. Sai da cama par ajudar uns e outros. Certo dia foi uma toxicodependente deprimida que a fez saltar do leito, apesar das intensas dores. Enfrenta depois duas operações. A quimioterapia provoca a queda do cabelo o que a faz sofrer bastante. Perante cada etapa do sofrimento vai repetindo : - Por ti, Jesus!”

A um amigo, que partia para África, ela dá todo o dinheiro que havia economizado, dizendo :

- Para mim não serve. Eu tenho tudo!

Ao longo da doença nunca se revolta. Passa a aceitar todos os padecimentos, dizendo a Jesus: - Se tu o queres, eu também o quero, Jesus!

No dia 19 de Julho de 1989, enfrenta uma forte hemorragia e quase morre. Nessa ocasião diz:

- Não derramem lágrimas por mim. Eu vou para Jesus. No meu funeral, não quero pessoas que chorem, mas que cantem forte.

E com a mãe prepara esse acontecimento chamando-lhe “A festa das núpcias” . Explica à mãe como quer ser vestida, escolhe as músicas os cantos e as leituras para a ocasião. E recorda-Lhe : - Quando me estiveres a preparar, mamã, deves repetir: "Agora Chiara Luce a está a ver Jesus”.

Não pede mais a saúde, mas a capacidade de fazer a vontade de Deus até ao fim.

No Domingo 7 de Outubro de 1990, na companhia dos pais, aconteceu o momento do encontro com o seu “Esposo”. Duas mil pessoas estiveram presentes no funeral. Fala-se de paraíso, de alegria, de escolha radical. Na homilia, o bispo que presidia diz: - Eis o fruto de uma família cristã e de uma comunidade de cristãos.

Os que a conheceram sentem-se impulsionados a viver com radicalidade o Evangelho. É uma santidade contagiosa.

No dia 25 de Setembro de 2010, foi beatificada em Roma pelo Papa Bento XVI.


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Eu sou sua Mãe! Mãe do seu Salvador! Mãe da Igreja! - Testemunho Ex-Protestante Adventista : Alexandre Nunes

Meu Nome é Alexandre Nunes e fazem 3 anos e meio que me converti ao Catolicismo.

Fui criado na Igreja Adventista do Sétimo dia a qual, desde pequeno aprendi a amar e a defender como a igreja remanescente de Deus nessa terra, que tinha uma última mensagem a dar ao mundo antes da volta de Jesus.

Fui crescendo e me aperfeiçoando na doutrina Adventista. Me tornei líder de jovens, me dediquei ao ministério da música, e cantei toda a minha vida ali em um dos grupos mais famosos no meio adventista que é o grupo INTERFACE. Mas meu grande chamado sempre foi o evangelismo através da palavra e das séries de conferências que fazia. 


Me tornei orador do Grupo Interface, juntando assim a Palavra e a Música para a evangelização. Pregava por sábado em ginásios para públicos de até 3.000 pessoas. Fazia trabalhos em hospitais, orfanatos, presídios, enfim... E ainda dava cursos bíblicos na escola sabatina (escola bíblica adventista).

Me tornei um pregador tão eloquente e bem visto, que já estava pensando em ir para o instituto adventista (IASP), para estudar Teologia e me tornar pastor.

Foi quando tudo mudou!

Um dia eu estava voltando de um programa na Igreja Central de Cabo Frio com o Grupo Interface, o
final de uma serie evangelística, no qual falei sobre a defesa do sábado como dia do senhor e sobre a besta do Apocalipse e o 666. Consequentemente falei muito contra o catolicismo! Sempre fui um grande perseguidor da então chamada "igreja Romana".

Cheguei em casa de madrugada, era por volta de 2:00h da manhã, tomei banho, comi algo e fui fazer minha última oração. Abri a Bíblia, ajoelhei, quando de repente aconteceu algo que mudaria toda a minha história!!!!

Uma luz prateada muito forte irradiou todo o meu quarto, e um agradável aroma de rosas penetrava todo meu ser!!!

Quando olhei pra trás, pensando que alguém tinha acendido alguma lanterna ou lâmpada... Sei lá! Eu me deparei com uma linda jovem, de aparência de uns 16 ou 18 anos... Mãos postas e um lindo sorriso que me trazia muita paz!

Perguntei então:
-Quem é você? Como entrou aqui?

Ela respondeu:
- Eu sou sua Mãe!

Eu disse:
Como assim minha Mãe! Minha mãe está dormindo bem aqui no quarto ao lado! Quem é você?

Ela sorrindo:
- Eu sou sua Mãe! Mãe do seu Salvador! Mãe da Igreja! Eu vim te buscar pois te tiraram de mim muito pequeno, e tenho uma missão pra você!

Eu como um bom evangélico comecei a orar e dizer saia daqui em nome de Jesus...

Ela então me disse sorrindo:
- isso filho! Reze pois só assim irá alcançar as promessas do meu filho! 

E se foi sumindo dentro daquela luz...

Quando me dei por conta, já estava quase amanhecendo e minha mãe entrou no meu quarto e disse:
Ué? Ainda acordado?
Hummm! Que cheiro gostoso de rosas!!!!

Não contei nada o que tinha acontecido e guardei isso em segredo durante meses!!!!

Minha vida virou de cabeça para baixo!

Eu ficava me questionando o que poderia ser aquela visão, visto que não acreditava que Maria estava viva! Os Adventista não acreditam em imortalidade da alma, acreditava que todos estavam esperando a vinda de Jesus para a ressurreição dos justos, enfim...

Meses se passaram até que um dia eu estava passando em frete a paróquia Nossa Senhora de Copacabana e Santa Rosa de Lima em Copacabana RJ, e ouvi uma voz que me disse:

-Entre!

Tomei coragem e fui a Uma Missa pela primeira vez na minha vida!
Entrei muito desconfiado... Achando um absurdo aquele monte de imagens...mas fiquei!

Na hora da consagração, eu caí de joelhos chorando muito, sentia como se estivesse na presença viva de Jesus, e estava mas ainda não sabia...

A Missa acabou e fui falar com o Padre.

Me apresentei, disse que não era católico mas precisava muito falar com ele. Ele pediu pra que fosse falar com outro Padre pois ele tinha um compromisso e não poderia me dar atenção naquele momento. Tudo estava sendo conduzido por Deus!!!

A Paróquia se Nossa Senhora de Copacabana tem vários Padres que atendem confissão todos os dias da semana o dia todo, e as Missas são quase que de hora em hora, mas Deus estava me guiando ao padre certo!

Fui a secretária expliquei o que tinha acontecido e disse que queria falar com o padre.

Fui encaminhado a um Padre por Nome Adonias.

Entrei na sala e disse:

- Bom dia Padre! Meu nome é Alexandre, eu não sou Católico, sou Adventista do Sétimo dia. Queria pedir sua ajuda, pois apareceu uma moça no meu quarto dizendo ser a Minha Mãe, Mãe de Jesus e da Igreja e eu queria... Quando olho pra trás dele me deparo com a imagem dela e digo atônito:

- É..é.. É Ela!!! Ela ai ó!!! Ela disse que é minha Mãe!!! Quem é ela? Eu tremia dos pés a cabeça...

O Padre olha pra trás... Olha pra mim e diz:

Meu amado! Essa é Nossa Senhora Rosa Mística! Maria! Mãe de Jesus, sua, minha, de toda a igreja!

Eu fiquei sem palavras!!!

Sabe... Eu nunca tinha visto aquela imagem! A mais comum, que a maioria dos evangélicos conhecem e Aparecida e Fátima... Agora Rosa Mística?

Comecei a conversar com o Pe. Adonias e tudo que perguntava ele me respondia com tanto carinho... As perguntas sobre doutrina, enfim... 

Depois voltei pra casa e ao contar toda a minha história pra família, fui descobrir que ei tinha sido batizado quando bebê e não sabia, meus padrinhos morreram e eu não tinha lembrança. Minha mãe tinha tido uma grande decepção dentro da igreja e ela se afastou, por isso fui criado na IASD.

Depois disso toda a minha família retornou a casa do Pai, fiz a Primeira Comunhão, a Crisma, e o Padre Adonias hoje é o meu amado Padrinho, estou estudando muito e aprendo sobre a fé, pois quero, como São Paulo ser um grande defensor da Santa igreja!!!

Me tornei um leigo consagrado e se Maria Nossa Santa Mãe permitir, e for a vontade do Pai, quero um dia ser um Sacerdote.

Muitas outras coisas aconteceram ainda, mas tentei resumir com os pontos principais!!!

Deus o abençoe!!!

VIVA A IGREJA, UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA!

PAX ET BONUM!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A Bíblia tornou-me um Católico! testemunho do ex pastor Paul Whitcomb.


Um dos muitos Protestantes que finalmente descobriram esta verdade foi um homem chamado Paul Whitcomb.

Paul Whitcomb era um ministro Protestante cujos intensos estudos das Sagradas Escrituras o fizeram aceitar a Igreja Católica como a única verdadeira Igreja edificada na Bíblia. Isso é explicado em um folheto já esgotado chamado A Bíblia me Tornou um Católico.
O Sr. Whitcomb estudou as Escrituras através do método “interpretação por correlação”.

O método funciona da seguinte maneira. Ele focava em determinada frase das Escrituras, como por exemplo “Filho de Deus”, e procurava nas Escrituras cada vez que aquela frase era usada, a fim de encontrar a verdade Bíblica do significado daquela frase.

Quando usou esta interpretação por correlação para a palavra “Igreja”, foi levado a uma descoberta inesperada (resumida aqui em quatro pontos).

1) Sua primeira descoberta, disse, foi de que a “Igreja” na Bíblia era definida como “um corpo” – e não somente um corpo humano, mas um Corpo Divino – o Corpo Místico do Próprio Cristo.

“Ele é também a Cabeça daquele corpo que é a Igreja” (Colossenses 1,1

“Ora, vocês são o corpo de Cristo e membros dele cada qual por sua parte” (I Coríntios 12,27)

“Pois somos membros do seu corpo” (Efésios 5,30)

2) O Sr. Whitcomb também descobriu que esta Igreja não era um corpo desmembrado, mas sim um corpo unificado.

“Haverá um só rebanho e um só pastor” (João 10,16)

“Eu lhes dei a Glória que me destes, para que eles sejam um, assim como nós somos um” (João 17,22).

“Há um só corpo e um só espírito, como também uma só esperança… um só Senhor, uma só Fé, um só Batismo” (Efésios 4:4-5).

O Sr. Whitcomb percebeu claramente que este corpo – a Igreja – era constituído como único: único em membros, único em crença, único em adoração, e único em governança.

3) Então ele percebeu que esta Igreja deve ser uma Igreja de ensinamentos. E não apenas isso, mas uma Igreja de ensinamentos infalíveis:

“De Deus recebi todo o poder no céu e na terra. Portanto vão e façam de todos os povos discípulos meus, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar o que eu ordenei” (Mateus 28,18-20).

4) Percebeu que Nosso Senhor pedia a divina proteção para aquela autoridade que ensinava:

“Eu lhes disse estas coisas enquanto permaneço com vocês. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai vai enviar-lhes em Meu nome, ele lhes ensinará todas as coisas e lhes recordará tudo o que eu lhes disse. Quando vier o Paráclito, que eu lhes enviarei da parte do Pai, ele dará testemunho de mim, porque desde o princípio estão comigo” (João 14,25-26 – 15,26-27)

Leu também em I Timóteo 3,15:

“Enquanto lhe escrevo isso …que você saiba como se comportar na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”.

Após ler tudo isso, ele notou: “Eu estava perturbado pela descoberta dessa verdade Bíblica … pois [como Protestante] não era membro de uma Igreja que ensina, muito menos de uma Igreja que ensina a verdade infalível”.

Pois essa “igreja” nem existe no sistema Protestante.

O Sr. Whitcomb continua:

“A Igreja da qual eu era membro, como todas as outras igrejas Protestantes, ao contrário, mantinha que a Bíblia é a única distribuidora e garantia da verdade divinamente autorizada, que se alguém será salvo ele deverá aprender através da Bíblia o que deve fazer para ser salvo. De acordo com a crença Protestante, a única responsabilidade da Igreja é garantir aos “salvos”, aqueles que professam Cristo como Senhor e Salvador, um lugar onde possam se reunir na ‘comunhão da oração’”.

“Isso, apesar do fato de que nos primeiros quatrocentos anos não havia uma bíblia Cristã publicada;

“Apesar do fato de que nos próximos mil anos até a invenção da imprensa escrita, havia pouquíssimas Bíblias;

“Isso apesar do fato de que aqueles que fizeram da Bíblia sua única regra de Fé inventaram centenas de regras de fé conflitantes;

“Isso apesar do fato de que a própria Bíblia afirma que muitos que a interpretam privadamente (II Pedro 3,16) a interpretarão erroneamente”.

Para encurtar a história, O Sr. Whitcomb explicou que a única “Igreja” que se encaixava na descrição de “Igreja” encontrada na Bíblia, era a Igreja Católica. (Ele também percebeu que a Bíblia não diz tudo, como João 21,25 nos diz “há muitas outras coisas que Jesus fez e que, se fossem escritas uma por uma, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seriam escritos”)

Foi a Igreja Católica, segura em sua infalível autoridade outorgada por Nosso Senhor que nos deu a Bíblia, e é somente pela autoridade da Igreja Católica que sabemos com certeza que a Bíblia é a verdadeira palavra de Deus. Foi por isso que Santo Agostinho, no século quarto falou: “Eu não acreditaria nos Evangelhos, caso a autoridade da Igreja Católica não me movesse a fazê-lo” (C. ep. Man. 5,6; cf. C. Faustum 28,2).

Fonte: Vocacionados de Deus e Maria

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Historiador protestante é convencido pela ‘honestidade histórica’ e se converte ao catolicismo.

Por A. David Anders, PhD/ Fonte: Coming Home Network/ Tradução: Tonynho Campos

Eu fui criado como um protestante evangélico, em Birmingham, no Alabama. Meus pais eram amorosos e dedicados, sinceros em sua fé, e profundamente envolvidos em nossa igreja. Eles incutiram em mim o respeito pela Bíblia como a Palavra de Deus, e um desejo e uma fé viva em Cristo.

Missionários frequentavam nossa casa e traziam o seu entusiasmo pelo seu trabalho. As estantes em nossa casa estavam cheias de livros de teologia e apologética. Desde cedo, eu absorvi a noção de que a minha maior vocação era ensinar a fé cristã. Suponho que não seja nenhuma surpresa que eu tenha me tornado um historiador da Igreja, mas me tornar um católico era a última coisa que eu esperava.

A igreja da minha família era nominalmente Presbiteriana, mas as diferenças denominacionais significavam muito pouco para nós. Eu frequentemente ouvia que divergências sobre o batismo, a ceia, ou o governo da igreja do Senhor não eram importantes, desde que eu acreditasse no Evangelho. Assim, queríamos dizer que a pessoa deve “nascer de novo”, que a salvação é pela fé, e que a Bíblia é a única autoridade para a fé cristã. Nossa igreja apoiava os ministérios de muitas denominações protestantes diferentes, mas o grupo certamente estava em oposição a Igreja Católica.

O mito de uma “recuperação” protestante do Evangelho era forte em nossa igreja. Eu aprendi muito cedo a idolatrar os reformadores protestantes Martinho Lutero e João Calvino, porque supostamente haviam resgatado o Cristianismo das trevas do Catolicismo medieval. Os católicos eram os que confiavam nas “boas obras” para levá-los para o céu, que se renderam à tradição ao invés das Escrituras, e que adoravam Maria e os santos em vez de Deus. Sua obsessão com os sacramentos também criou um enorme obstáculo para a verdadeira fé e um relacionamento pessoal com Jesus. Não havia dúvida. Os católicos não eram verdadeiros cristãos.

Nossa igreja era caracterizada por uma espécie de intelectualismo confiante. Presbiterianos tendem a ser bastante ou teologicamente intelectuais, e professores de seminário, apologistas, cientistas e filósofos eram os oradores frequentes de nossas conferências. Foi essa atmosfera intelectual que atraiu o meu pai para a igreja, e suas estantes estavam lotadas com as obras do reformador João Calvino, e do puritano Jonathan Edwards, bem como autores mais recentes como B.B. Warfield, A.A. Hodge, C.S. Lewis e Francis Schaeffer. Como parte dessa cultura acadêmica, tomávamos como certo que a investigação honesta levaria alguém a nossa versão da fé cristã.

Todas estas influências deixaram impressões definitivas sobre mim como uma criança. Eu comecei a achar o Cristianismo um pouco parecido com a física newtoniana. A fé cristã consistia em certas leis eminentemente razoáveis e imutáveis, e a você estava garantida a vida eterna, desde que você tivesse construído a sua vida de acordo com esses princípios. Eu também pensava que esta era a mensagem claramente enunciada no livro oficial da teologia cristã: a Bíblia. Somente a confiança irracional na tradição humana ou a indiferença depravada poderia explicar o fracasso de alguém se agarrar a estas simples verdades.

Havia uma estranha ironia neste ambiente altamente religioso e teológico. Deixava-se claro que era a fé e não as obras que salvavam. Também se confessava a crença protestante clássica de que todas as pessoas estão “totalmente depravadas”, o que significa que até mesmo os seus melhores esforços morais são intrinsecamente odiosos para Deus e nada podem merecer. No momento em que cheguei a escola, eu coloquei essas peças e conclui que a prática religiosa e o esforço moral eram mais ou menos irrelevantes para a minha vida. Não que eu tenha perdido a minha fé. Pelo contrário, eu a absorvi completamente. Eu tinha aceitado a Cristo como meu Salvador e era um “renascido”. Eu acreditava que a Bíblia era a palavra de Deus. Eu também acreditava que nenhum dos meus trabalhos religiosos ou morais tinha qualquer valor. Então eu parei de praticá-los.

Felizmente, a minha indiferença durou apenas alguns anos, e eu tive uma verdadeira reconversão à fé na faculdade. Descobri que a minha necessidade de Deus era mais profunda do que um simples “seguro contra incêndio”. Eu também conheci uma linda garota com quem eu comecei a ir aos cultos protestantes. Jill tinha sido criada nominalmente católica, mas não conseguiu manter-se na prática de sua fé após a Confirmação. Juntos, nós nos encontrávamos crescendo mais profundamente na fé protestante, e depois de alguns meses, ambos nos tornamos desiludidos com a atmosfera mundana da nossa Universidade de Nova Orleans. Concluímos que o Centro-Oeste americano e a faculdade evangélica Wheaton College iria nos proporcionar um ambiente mais espiritual, e nos transferimos os dois no meio do nosso segundo ano (em Janeiro de 1991).

Wheaton College, é um farol para cristãos evangélicos sinceros vindos de várias origens. Protestantes de diversas denominações diferentes ficam representados, unidos em seu compromisso com Cristo e a Bíblia. Minha infância me ensinou que a teologia, a apologética e o evangelismo eram a maior vocação do cristão, e eu encontrei-os todos em oferta abundante na Wheaton College. Foi aí que pensei pela primeira vez em comprometer a minha vida ao estudo da teologia. Foi também na Wheaton College que Jill e eu nos tornamos noivos.

Depois da formatura, Jill e eu nos casamos, e finalmente, fizemos o nosso caminho para a Universidade Evangélica Trindade Divina, em Chicago. O meu objetivo era ter uma educação de seminário, e eventualmente, completar o meu grau de Ph.D. Eu queria me tornar um daqueles professores de teologia que admirava tanto na igreja durante a minha juventude.

Atirei-me no seminário abandonando tudo. Eu amei meus cursos de teologia, da Escritura e da história da Igreja, e eu prosperei sobre a fé, confiança e sentido de missão que permeavam a escola. Eu também abracei a sua atmosfera anti-católica. Eu estava lá em 1994, quando o documento “Evangélicos e Católicos Juntos” foi publicado pela primeira vez e a faculdade foi quase que uniformemente hostil a ele. Eles viam qualquer compromisso com os católicos como sendo uma traição a Reforma. Os católicos não eram simplesmente irmãos no Senhor. Eles eram apóstatas.

Eu aceitava as atitudes anti-católicas de meus professores de seminário, por isso, quando chegou a hora de seguir em frente nos meus estudos, decidi me focar em um estudo histórico da Reforma. Eu pensava que não poderia haver uma preparação melhor, para atacar a Igreja Católica e ganhar convertidos, do que conhecer profundamente as mentes dos grandes líderes de nossa fé – Martinho Lutero e João Calvino. Eu também queria entender toda a história do Cristianismo para que pudesse colocar a Reforma no contexto. Eu queria ser capaz de mostrar como a igreja medieval tinha abandonado a verdadeira fé e como os reformadores tinham recuperado ela. Para este fim, comecei estudos de Ph.D. em teologia histórica na Universidade de Iowa. Eu nunca imaginava que a história da Reforma da Igreja iria me levar a Igreja Católica.

Antes que começasse meus estudos em Iowa, Jill e eu testemunhamos o nascimento do nosso primeiro filho, um menino. Seu irmãozinho nasceu menos de dois anos depois, e uma irmã chegou antes de sairmos de Iowa (e agora temos cinco filhos). Minha esposa estava muito ocupada cuidando das crianças, enquanto eu me comprometia quase que inteiramente aos meus estudos. Vejo hoje que eu passei muito tempo na biblioteca e não tempo suficiente com a minha esposa, meus filhos e minha filha. Eu acho que justifica essa negligência a confiança no meu senso de missão. Eu tinha uma vocação – para testemunhar a fé através do estudo teológico – e uma visão intelectual da fé cristã do meu dever cristão. Para os cristãos evangélicos, o que se acredita ser mais importante é o que a pessoa vive. Eu estava aprendendo a defender e promover essas crenças. O que poderia ser mais importante?

Eu comecei meus estudos de doutorado em Setembro de 1995. Fiz cursos no início, de história medieval e da Reforma da Igreja. Eu li os Padres da Igreja, os teólogos escolásticos, e os reformadores protestantes. Em cada etapa, tentei relacionar teólogos posteriores aos anteriores, e todos eles com as Escrituras. Eu tinha um objetivo de justificar a Reforma e isso significava, acima de tudo, investigar a doutrina da “justificação pela fé”. Para os protestantes, esta é a doutrina mais importante “recuperada” pela Reforma.

Os reformadores insistiam em que eles estavam seguindo a antiga igreja ao ensinar a “Sola Fide”, e como prova apontavam para os escritos do Padre da Igreja, Santo Agostinho de Hipona (354-430). Meus professores de seminário também apontavam para Agostinho como a fonte originária da teologia protestante. A razão para isso era o interesse de Agostinho nas doutrinas do pecado original, graça e justificação. Ele foi o primeiro dos Padres a tentar uma explicação sistemática desses temas paulinos. Ele também colocou um nítido contraste entre “obras” e “fé” (veja sua obra “Sobre o Espírito e a Letra”, 412 A.D.). Ironicamente, foi a minha investigação desta doutrina e de Santo Agostinho, o que começou a minha jornada para a Igreja Católica.

Minha primeira dificuldade surgiu quando comecei a entender o que realmente Santo Agostinho ensinou sobre a salvação. Em poucas palavras, Agostinho rejeitou a “Sola Fide”. É verdade que ele tinha um grande respeito pela fé e graça, mas via estas principalmente como a fonte de nossas boas obras. Agostinho ensinou que nós literalmente “merecemos” a vida eterna, quando nossas vidas são transformadas pela graça. Isto é completamente diferente do ponto de vista protestante.

As implicações de minha descoberta foram profundas. Eu não sabia o suficiente dos meus dias de faculdade e seminário para entender que Agostinho ensinava nada menos que a doutrina católica romana da justificação. Decidi passar então para os Padres mais antigos da Igreja em minha busca pela “fé pura” da antiguidade cristã. Infelizmente, os Padres mais antigos da Igreja eram ainda de menos ajuda do que Agostinho.

Agostinho vinha do Norte da África de fala de língua Latina. Outros vieram da Ásia Menor, Palestina, Síria, Roma, Gália, e do Egito. Eles representavam diferentes culturas, falavam línguas diferentes, e foram associados a diferentes apóstolos. Eu pensei que seria possível que alguns deles pudessem ter entendido mal o Evangelho, mas parecia improvável que todos iriam se confundir. A verdadeira fé tinha de estar representada em algum lugar do mundo antigo. O único problema era que eu não poderia encontrá-la. Não importa para onde eu olhasse, em qualquer continente, em qualquer século, os Padres concordavam: a salvação vem por meio da transformação da vida moral e não somente pela fé. Eles também ensinaram que essa transformação começa e é alimentada nos sacramentos, e não através de alguma experiência de conversão individual.

Nesta fase da minha jornada eu estava ansioso para continuar a ser um protestante. Toda a minha vida, casamento, família e carreira, estavam ligados ao protestantismo. As minhas descobertas na história da Igreja eram uma enorme ameaça para a minha identidade, então eu me virei para os estudos bíblicos a procura de conforto e ajuda. Eu pensei que se eu pudesse ficar absolutamente confiante no recurso dos reformadores com as Escrituras, então eu basicamente poderia demitir 1500 anos de história cristã. Evitei a academia católica, ou livros que eu achava que tinham a intenção de minar a minha fé, e preferi me concentrar no que eu achava que eram as obras protestantes mais objetivas, históricas e também de erudição bíblica. Eu estava procurando por uma prova sólida de que os reformadores estavam certos em sua compreensão de Paulo. O que eu não sabia era que os melhores da academia protestante do Século XX já haviam rejeitado a leitura de Lutero da Bíblia.

Lutero baseou toda a sua rejeição da Igreja sobre as palavras de Paulo: “Uma pessoa é justificada pela fé, independentemente das obras da lei” (Romanos 3, 28). Lutero assumiu que este contraste entre “fé” e “obras” significava que não havia papel para a moralidade no processo da salvação (de acordo com a visão tradicional protestante, o comportamento moral é uma resposta para a salvação, mas não um fator contribuinte). Eu aprendi que os primeiros Padres da Igreja rejeitaram essa visão. Agora eu havia encontrado toda uma série de estudiosos protestantes também dispostos a testemunhar que isso não é o que Paulo quis dizer.

Os Padres da Igreja do Século II acreditavam que Paulo havia rejeitado a relevância somente da lei judaica para a salvação (“obras da lei” = lei mosaica). Eles viam a fé como a entrada para a vida da Igreja, os sacramentos, e o Espírito. A fé nos admite os meios da graça, mas não é em si um motivo suficiente para a salvação. O que eu vi nos mais recentes e altamente respeitados estudiosos protestantes é o mesmo ponto de vista. A partir do último terço do Século XX, estudiosos como E.P. Sanders, Krister Stendhal, James Dunn e N. T. Wright, têm argumentado que o protestantismo tradicional interpretou profundamente mal a Paulo. De acordo com Stendhal e outros, a justificação pela fé é principalmente sobre as relações entre judeus e gentios, e não sobre o papel da moralidade como condição de vida eterna. Juntos, o seu trabalho tem sido referido como “A Nova Perspectiva sobre Paulo”.

Minha descoberta desta “Nova Perspectiva” foi um divisor de águas na minha compreensão das Escrituras. Eu vi, para começar, que a “Nova Perspectiva”, era na verdade a “Velha Perspectiva” dos primeiros Padres da Igreja. Comecei a testá-la contra a minha própria leitura de Paulo e descobri que ela tinha sentido. Ela também resolveu a tensão de longa data que eu sempre senti entre Paulo e o resto da Bíblia. Mesmo Lutero tinha tido dificuldade em conciliar sua leitura de Paulo com o Sermão da Montanha, a Epístola de São Tiago, e o Antigo Testamento. Uma vez que eu tentei a “Nova Perspectiva” esta dificuldade desapareceu. Relutantemente, eu tive que aceitar que os reformadores estavam errados sobre a justificação.

Essas descobertas no meu trabalho acadêmico foram paralelas em certa medida a descobertas na minha vida pessoal. A teologia protestante distingue fortemente crença de comportamento, e eu comecei a ver como isso me afetou. Desde a infância, eu sempre tinha identificado teologia, apologética e evangelismo como a mais alta vocação na vida cristã, enquanto as virtudes deveriam ser meros frutos da crença correta. Infelizmente, descobri que os frutos não estavam apenas faltando em minha vida, mas que minha teologia tinha realmente contribuido para os meus vícios. Ela me fez censura, orgulhosa, e argumentativa. Eu também percebi que tinha feito a mesma coisa para os meus heróis.

Quanto mais eu aprendia sobre os reformadores protestantes, menos pessoalmente eu gostava deles. Eu reconheci que o meu próprio fundador, João Calvino, era um homem arrogante e auto-importante, que foi brutal para com os seus inimigos, nunca aceitou a responsabilidade pessoal, e condenava a qualquer um que não concordasse com ele. Ele chamou a si mesmo de profeta e atribuiu autoridade divina ao seu próprio ensino. Isto contrasta totalmente com bastante do que eu estava aprendendo sobre os teólogos católicos. Muitos deles eram santos, significando que eles tinham vivido vidas de abnegação e caridade heroica. Mesmo os maiores deles – homens como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino – também reconheciam que eles não tinham autoridade pessoal para definir o dogma da Igreja.

Exteriormente, permaneci firmemente anti-católico. Continuei a atacar a Igreja e a defender a Reforma, mas interiormente eu estava em uma agonia psicológica e espiritual. Descobri que minha teologia e todo o trabalho da minha vida foram fundamentados em uma mentira, e que a minha própria vida ética, moral e espiritual estava profundamente carente. Eu estava perdendo rapidamente a minha motivação para contestar o Catolicismo, e em vez disso eu queria simplesmente saber a verdade. Os reformadores protestantes tinham justificado a sua revolta por um apelo à “Sola Scriptura”. Meus estudos da doutrina da justificação tinham me mostrado que a Escritura não era o guia tão claro como os reformadores alegavam. E se todo o seu apelo a “Sola Scriptura” fosse equivocado? Por que, afinal, eu trataria a “Sola Scriptura” como a autoridade final?

Quando eu levantei essa questão para mim, percebi que eu não tinha uma boa resposta. A verdadeira razão pela qual apelava para a “Sola Scriptura” era que isso é o que havia me sido ensinado. Ao estudar o assunto, descobri que nenhum protestante já deu uma resposta satisfatória para esta pergunta. Os reformadores realmente não defenderam a doutrina da “Sola Scriptura”. Eles simplesmente afirmaram ela. Pior ainda, eu aprendi que os teólogos protestantes modernos que tentaram defender a “Sola Scriptura” o fizeram com um apelo à tradição. Isso me parecia ilógico. Eventualmente, eu percebi que a “Sola Scriptura” não está nem mesmo nas Escrituras. A doutrina é auto-refutável. Vi também que os primeiros cristãos não sabiam mais de “Sola Scriptura”, do que haviam conhecido de “fé”. Sobre as questões de como somos salvos e como definimos a fé, os cristãos mais antigos encontravam o seu centro na Igreja. A Igreja era tanto a autoridade sobre a doutrina cristã, bem como o instrumento de salvação.

A Igreja era a questão para a qual eu continuava me voltando. Os evangélicos tendem a ver a Igreja como simplesmente uma associação de fiéis unidos mentalmente. Até mesmo os reformadores, Lutero e Calvino, tinham uma visão muito mais forte da Igreja do que isso, mas os antigos cristãos tinham a doutrina mais sublime de todas. Eu costumava ver sua ênfase na Igreja como anti-bíblica, ao contrário da “fé”, mas eu comecei a perceber que era minha tradição evangélica que era anti-bíblica.

A Escritura ensina que a Igreja é o Corpo de Cristo (Efésios 4, 12). Os evangélicos tendem a descartar isso como mera metáfora, mas os antigos cristãos pensavam nisso como, literalmente, embora misticamente, a verdade. São Gregório de Nissa disse: “Aquele que contempla a Igreja realmente contempla Cristo.” Enquanto eu pensava sobre isso, eu percebia que ele disse uma verdade profunda sobre o significado bíblico da salvação. São Paulo ensina que os batizados foram unidos a Cristo na sua morte, para que também eles fossem unidos a ele na ressurreição (Romanos 6, 3-6). Esta união, literalmente, torna o cristão um participante da natureza divina (2 Pedro 1, 4). Santo Atanásio poderia até dizer, “Ele se fez homem para que pudéssemos ser elevados a Deus” (De Incarnatione, 54,3). A antiga doutrina da Igreja agora fazia sentido para mim, porque eu via que a própria salvação nada mais é que a união com Cristo e um crescimento contínuo em sua natureza. A Igreja não é uma mera associação de pessoas com interesses semelhantes. É uma realidade sobrenatural porque compartilha da vida e ministério de Cristo.

Essa percepção também fazia sentido na doutrina sacramental da Igreja. Quando a Igreja batiza, absolve os pecados, ou acima de tudo, oferece o Santo Sacrifício da Missa, é realmente Cristo quem batiza, absolve e oferece o seu próprio Corpo e Sangue. Os sacramentos não diminuem a Cristo. Eles o tornam presente.

As Escrituras são bastante simples sobre os sacramentos. Se você tomá-los literalmente, você deve concluir que o batismo é o “banho de renascimento e renovação pelo Espírito Santo” (Tito 3, 5). O que Jesus quis dizer quando disse: “A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida” (João 6, 55). Ele não estava mentindo quando ele prometeu “a quem perdoardes os pecados lhes serão perdoados” (João 20, 23). Isto é exatamente como os antigos cristãos entendiam os sacramentos. Eu já não podia acusar os antigos cristãos de serem anti-bíblicos. Por que razão eu deveria rejeitá-los em tudo?

A antiga doutrina cristã da Igreja também fez sentido na questão da veneração dos santos e mártires. Eu aprendi que a doutrina católica sobre os santos é apenas um desenvolvimento desta doutrina bíblica do Corpo de Cristo. Os católicos não adoram os santos. Eles veneram a Cristo em seus membros. Ao invocar a sua intercessão, os católicos apenas confessam que Cristo está presente e operante na sua Igreja no céu. Os protestantes frequentemente objetam que a veneração dos santos católicos de alguma forma diminui o ministério de Cristo. Eu comecei a entender agora que o inverso é a verdade. São os protestantes que limitam o alcance da obra salvadora de Cristo, negando suas implicações para a doutrina da Igreja.

Meus estudos mostraram essa teologia concretizada na devoção da Igreja antiga. Conforme eu continuava a minha investigação de Santo Agostinho, eu aprendia que esse “herói protestante” abraçou completamente a veneração de santos. Peter Brown (nascido em 1935), um estudioso de Santo Agostinho, também me ensinou que os santos não estavam relacionados com o Cristianismo antigo. Ele argumentou que não se pode separar o Cristianismo antigo da devoção aos santos, e ele colocou Santo Agostinho diretamente nesta tradição. Brown mostrou que esta não era uma mera importação pagã no Cristianismo, mas sim estava ligado intimamente à noção cristã de salvação (Veja “O Culto dos Santos: A Sua Origem e Função no Cristianismo Latino”).

Quando entendi a posição católica sobre a salvação, a Igreja e os santos, os dogmas marianos também pareciam se encaixar. Se o coração da fé cristã é a união de Deus com a nossa natureza humana, a Mãe desta natureza humana tem um papel extremamente importante e único em toda a história. Por isso, os Padres da Igreja sempre celebraram Maria como a segunda Eva. O seu “sim” a Deus na anunciação desfez o “não” de Eva no jardim. Se era apropriado, venerar os santos e mártires da Igreja, quanto mais apropriado não seria dar honra e veneração a ela que tornou possível nossa redenção?

No momento em que eu terminei meu doutorado, eu tinha revisto completamente a minha compreensão da Igreja Católica. Vi que a sua doutrina sacramental, a sua visão da salvação, sua veneração a Maria e aos santos, e suas reivindicações de autoridade estavam todas fundamentadas nas Escrituras, nas tradições mais antigas, e no claro ensino de Cristo e dos apóstolos. Eu também percebi que o protestantismo era uma massa confusa de inconsistências e lógica torturada. Não só era falsa a doutrina protestante, mas criava contenção, e não poderia mesmo permanecer inalterada. Quanto mais eu estudava, mais eu percebia que a minha herança evangélica tinha me movido para longe não só do Cristianismo antigo, mas mesmo a partir do ensino de seus próprios fundadores protestantes.

Os evangélicos americanos modernos ensinam que a vida cristã começa quando você “convida Jesus a entrar em seu coração”. A conversão pessoal (o que eles chamam de “nascer de novo”) é vista como a essência e o começo da identidade cristã. Eu sabia a partir de minha leitura dos Padres que este não era o ensino da Igreja primitiva. Eu aprendi estudando os reformadores que não era nem mesmo o ensino dos primeiros protestantes. Calvino e Lutero tanto inequivocamente identificavam o batismo como o início da vida cristã. Eu procurei em vão em suas obras por qualquer exortação ao “novo nascimento”. Eu também aprendi que não descartavam a Eucaristia como sem importância, como eu o fazia. Enquanto eles rejeitavam a teologia católica sobre os sacramentos, ambos continuaram a insistir que Cristo está realmente presente na Eucaristia. Calvino mesmo ensinou em 1541 que uma compreensão adequada desta Eucaristia é “necessária para a salvação”. Ele não sabia nada do individualista, do Cristianismo do “novo nascimento” no qual eu havia crescido.

Terminei a minha licenciatura em Dezembro de 2002. Os últimos anos de meus estudos foram realmente muito obscuros. Mais e mais, parecia-me que os meus planos estavam ficando desequilibrados, e o meu futuro na escuridão. Minha confiança ficou muito abalada e eu realmente duvidava, que eu poderia acreditar em qualquer coisa. O Catolicismo começou a me parecer como a interpretação mais razoável da fé cristã, mas a perda da fé de minha infância foi demolidora. Orei por orientação. No final, eu creio que foi a graça que me salvou. Eu tinha uma esposa e quatro filhos, e Deus finalmente me mostrou que eu precisava de mais do que os livros em minha vida. Sinceramente, eu também precisava de mais do que “somente a fé”. Eu precisava de ajuda real para viver a minha vida e batalhar contra os meus pecados. Encontrei isso nos sacramentos da Igreja.

Em vez da “Sola Scriptura”: eu precisava da orientação verdadeira de um professor com autoridade. Encontrei isso no Magistério da Igreja. Descobri realmente que toda a minha companhia eram os santos no céu – e não apenas os seus livros sobre a terra. Em suma, eu descobri que a Igreja Católica foi idealmente formada para atender as minhas necessidades espirituais reais. Além de verdade, descobri Jesus em sua Igreja, através de sua Mãe, e em toda a companhia dos seus santos. Entrei na Igreja Católica em 16 de Novembro de 2003. Minha esposa também tinha sua própria aversão contra as profundezas da Igreja e hoje minha família é uma família feliz e entusiasticamente católica. Agradeço aos meus pais por me apontarem Cristo e as Escrituras. Agradeço a Santo Agostinho por me apontar a Igreja.

http://calvin2catholic.com/

fonte: http://blog.comshalom.org/carmadelio/39545-historiador-protestante-se-converte-igreja-catolica

Evangélico por 15 anos, Maestro se converte ao catolicismo

Nascido em berço evangélico, o regente Jailson Moura, 27, formado pela Escola de Música do Espírito Santo (FAMES), caminhou na religião proposta por Martinho Lutero por mais de 15 anos. Músico e regente na igreja evangélica, Jailson deixou os ensinamentos de Cristo sob a ótica de Lutero, para abraçar de corpo e alma a religião fundada por Jesus Cristo e assentada sobre Pedro: o catolicismo. E qual foi o forte motivo que o levou para a Igreja Católica? A primeira arte: a música. “Em outubro de 2013, escrevi um projeto para montagem da escola de música para a Igreja Católica… deste então fui me envolvendo com as pessoas da Igreja… Desde então comecei a amar a Igreja e a me dedicar mais. A música me levou para a Igreja Católica”, conta Jailson.

Jailson quer tornar a música erudita e orquestrada mais popularizada na Igreja Católica. O projeto Schola Cantorum, de sua autoria, é voltado para essa difusão da música orquestrada na Igreja. O maestro conta que teve total apoio do então pároco da Paróquia São Pedro, em Jacaraípe, Serra, Pe. Renato Paganini, hoje em Roma.

O projeto Schola atende as paróquias São Pedro, em Jacaraípe, e São Francisco de Assis, em Laranjeiras, que abrange 22 comunidades. Atualmente o projeto conta apenas com coristas, mas Jailson espera que até dezembro deste ano se forme uma turma para orquestra, para atender as missas solenes da Igreja.

A proposta do jovem maestro é oferecer a compreensão da música orquestral de forma acessível por meio da apreciação. “Deus merece o nobre, a música foi feita para louvá-lo, então que seja bem feita”, diz. Ele ainda vai mais longe ao dizer: “Todos admiram o coro da Capela Sistina, podemos ter o mesmo aqui no Brasil”.

Jailson diz que a cultura brasileira não é tão receptiva a música erudita e que os ouvidos dos brasileiros precisam ser treinados, e que segundo o maestro, é um trabalho a longo prazo. “Vejo as missas de Mozart, Bach, Vivaldi obras linda que era muito usado nos períodos passados com ênfase no Barroco, é algo glorioso. (…) Não posso fazer uma missa inteira com peças desses compositores, o público precisa ser formado ainda”.

Fizemos a fatídica pergunta. Se ele tinha algum preconceito com Maria, mãe de Jesus. E responde: “Não era um crente do tipo exagerado. Sempre respeitei Nossa Senhora”. A sua incursão na Igreja Católica, segundo suas palavras, está sendo como uma “paquera”. Tudo ainda é muito novo. Jailson mora em Laranjeiras, Serra e serve na Paróquia São Pedro, em Jacaraípe, também município da Serra.

Confira a entrevista:

1. Como aconteceu (está acontecendo) a sua conversão ao catolicismo?

Em outubro de 2013, escrevi um projeto para montagem de uma escola de música para a Igreja Católica. A proposta era gerar músicos e ajudar a Igreja num realinhamento musical já que percebi uma falha nesse sentido. O projeto foi aceito pelo padre Renato Paganini, hoje em Roma, e deste então fui me envolvendo com as pessoas da Igreja, todos são receptivos e o melhor de tudo, não te obrigam a nada, te deixam a vontade. Desde então comecei a amar a igreja e a me dedicar mais. A música me levou para a igreja católica. Hoje sou regente de dois coros e já estou indo pro terceiro. O que para outros regentes seria um projeto artístico, pra mim está sendo para a vida inteira.

2. Você foi batizado na Igreja protestante? Sua família é protestante? Conte-nos a sua caminhada na Igreja evangélica.

Sim! A minha família é protestante, são bem religiosos. Fui evangélico por mais de 15 anos e o gosto pela música, inclusive, nasceu dentro da igreja protestante. Sempre quis ser líder na música e comecei a estudar e a me envolver. Em 2010, fui um dos ajudadores no Espírito Santo a desenvolver um projeto de orquestra e coro, ampliação do uso da música erudita nos cultos, e deu certo, claro eu não era o único, mas “virou moda” ter os coros e orquestra com regência que até então era um bloqueio na igreja evangélica. Foi um longo trabalho fazendo muitos arranjos dando muitas aulas de prática de conjunto, formação de novos cantores etc., hoje existe uma estrutura gigante, muitos regentes e músicos preparados para manter o que foi proposto.

3. Cá pra nós, você tinha “aversão” a Nossa Senhora, aos anjos, santos? Conte-nos como era a sua visão sobre Maria, anteriormente.

Não tinha, pelo contrário! Eu era evangélico mas sempre gostei de pesquisar e estudar antes de formar qualquer opinião. Não era um “crente” do tipo exagerado. Sempre respeitei Nossa Senhora.

4. Você chegou a dizer que os católicos iriam morrer no inferno, que o Papa é a besta, coisas assim? Conte-nos um pouco sobre o anti-catolicismo, caso tenha passado por isso.

(Risos) Nunca pensei isso. Minha opinião sobre isso sempre foi neutra. Não existe um povo ou uma instituição religiosa que é menos ou mais favorecida. No fim, todos somos iguais. O Deus é o mesmo, somos filhos do mesmo Pai. Para mim essas opiniões não tem cabimento nem paro para discutir, é perca de tempo.

5. A Igreja católica tem uma ligação muito íntima com as artes, sobretudo com a música.

A música católica é riquíssima. Vejo as missas de Mozart, Bach, Vivaldi obras linda que era muito usado nos períodos passados com ênfase no Barroco, é algo glorioso. Mas tal arte é pouco usado aqui no Brasil. A cultura é outra, mas a ideia é fomentar aos poucos o gosto pela arte. Não posso fazer uma missa inteira com peças desses compositores, o público precisa ser formado ainda.

6. Conte-nos como está sendo a sua vida de recém-convertido.

Estou muito feliz! O projeto da Schola Cantorum está crescendo, e muito rápido. Já estamos indo para terceira região, isso em um ano. Para mim, é formidável e quero muito que outras paróquias emulem esse objetivo de enobrecer a música na Igreja.

7. Como sua família reagiu a sua ida para à Igreja Católica?

Está sendo uma situação complicada, a minha família não aceita, porém estou sendo neutro para não gerar conflitos. Aos poucos eles vão aceitando a ideia .

8. O que a Igreja Católica tem que a Evangélica não tem?

Não posso responder isso agora, é precoce! Mas posso afirmar que aqui você trabalha para Cristo de forma mais agradável.

9. Conte-nos sobre o seu trabalho com a música na Igreja Católica.

A Igreja precisa ter um contato maior com a música, inserindo nova cultura, trazendo qualidade de vida, proporcionando a todos altruísmo, não somente por parte de quem as executam, mas pelas pessoas que serão beneficiadas com momentos de boa música e saudável entretenimento. A minha proposta é oferecer a compreensão da música orquestral de forma acessível por meio da apreciação. Fazer musica considerado fundamental e essencial, inclusive para os dois outros fazeres, composição e performance. A apreciação é a gênese do contato com a própria música, é a partir dela que se constrói a noção daquilo que se percebe como música. Assim, trazer à luz estratégias que envolvam a apreciação na geração da compreensão musical significa também desenvolver o seu conhecimento. Avaliar o potencial de apresentações didáticas e suas implicações na construção do conhecimento torna-se fundamental para o aperfeiçoamento de tais iniciativas. Deus merece o nobre, a música foi feita para louvá-lo, então que seja bem feita. Como disse, a Schola Cantorum cresce a cada dia e vamos seguir no sentimento que perdure no tempo. Todos admiram o coro da Capela Sistina, podemos ter o mesmo aqui no Brasil.

10. Um bom católico tem a consciência de fé de alguns pilares centrais e irrenunciáveis, tais como: a Infalibilidade do Papa (que nas suas decisões em fé e moral é assistido pelo Espírito Santo), nos Dogmas da Igreja, na Sagrada Tradição, no Sagrado Magistério. Como você vê tudo isso hoje?

Ainda não tenho uma opinião formada sobre o assunto. Certamente, com alguns anos de mais convivência na Igreja terei mais base para falar sobre. Estou vivendo um momento de “paquera” com a Igreja Católica, digamos.

11. Se você tivesse que passar uma mensagem para seus irmãos evangélicos a respeito da Igreja Católica, o que você lhes diria?

Que Cristo habita aqui também!

fonte: http://c3press.com/evangelico-por-15-anos-maestro-se-converte-ao-catolicismo-2.html

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Ucrânia: Exemplo de coragem dos Cristãos de hoje!

A Igreja Greco-Católica Ucraniana, o maior rito oriental do mundo, foi severamente perseguida e quase aniquilada pelo comunismo. Nesta sociedade completamente ateia, o único veículo da fé era a família. E foi assim que a Igreja sobreviveu, em segredo, como nas “catacumbas” dos primeiros cristãos. Dom Sviatoslav Shevchuk, antigo administrador apostólico da eparquia ucraniana em Buenos Aires e hoje Arcebispo-Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, dá seu testemunho - ele mesmo estudou num seminário clandestino - e partilha o testemunho dos padres que foram presos e torturados e da ressurreição dessa Igreja, apesar das feridas deixadas pelo sistema. Sua mensagem é sobre a coragem de ser cristão nos dias de hoje e sobre o paradoxo da liberdade: “Aquelas pessoas que eram realmente cristãs, até mesmo na prisão, eram livres! No momento somos politicamente livres, mas frequentemente sentimos uma falta da liberdade interior”.
comentários: facebook, Orientale Lumen

 
Ucrânia: A Mãe de Deus destruiu o Império Soviético do Mal from Ajuda à Igreja que Sofre on Vimeo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Arcebispo Fulton J. Sheen: Se eu não fosse Católico…

Se eu não fosse Católico e estivesse procurando a verdadeira Igreja no mundo de hoje, eu iria em busca da única Igreja que não se dá muito bem com o mundo. Em outras palavras, eu procuraria uma Igreja que o mundo odiasse. Minha razão para fazer isso seria que, se Cristo ainda está presente em qualquer uma das igrejas do mundo de hoje, Ele ainda deve ser odiado como o era quando estava na terra, vivendo na carne.
Se você tiver que encontrar Cristo hoje, então procure uma Igreja que não se dá bem com o mundo. Procure por uma Igreja que é odiada pelo mundo como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure pela Igreja que é acusada de estar desatualizada com os tempos modernos, como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e nunca ter aprendido. Procure pela Igreja que os homens de hoje zombam e acusam de ser socialmente inferior, assim como zombaram de Nosso Senhor porque Ele veio de Nazaré. Procure pela Igreja, que é acusada de estar com o diabo, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, príncipe dos demônios .


Procure a Igreja que em tempos de intolerância (contra a sã doutrina,) os homens dizem que deve ser destruída em nome de Deus, do mesmo modo que os que crucificaram Cristo julgavam estar prestando serviço a Deus.

Procure a Igreja que o mundo rejeita porque ela se proclama infalível, pois foi pela mesma razão que Pilatos rejeitou Cristo: por Ele ter se proclamado a si mesmo A VERDADE. Procure a Igreja que é rejeitada pelo mundo assim como Nosso Senhor foi rejeitado pelos homens. Procure a Igreja que em meio às confusões de opiniões conflitantes, seus membros a amam do mesmo modo como amam a Cristo e respeitem a sua voz como a voz do seu Fundador.

E então você começará a suspeitar que se essa Igreja é impopular com o espírito do mundo é porque ela não pertence a esse mundo e uma vez que pertence a outro mundo, ela será infinitamente amada e infinitamente odiada como foi o próprio Cristo. Pois só aquilo que é de origem divina pode ser infinitamente odiado e infinitamente amado. Portanto, essa Igreja é divina .”

Arcebispo Fulton J. Sheen, Radio Replies, Vol. 1, p IX, Rumble & Carty, Tan Publishing – Tradução: Gercione Lima

Fonte: http://fratresinunum.com/

terça-feira, 5 de agosto de 2014

7 grandes razões para se confessar amanhã mesmo (e sempre)

A confissão é um presente: aproveite já, aproveite muitas vezes e leve os seus filhos consigo!



No Instituto Gregoriano do Colégio Beneditino, nós consideramos que está na hora de os católicos promoverem imaginativa e vigorosamente a confissão. E não somos nós que estamos dizendo isso: "A renovação da Igreja na América depende da renovação da prática da penitência", disse-nos o papa Bento XVI no National Stadium, em Washington.

O papa João Paulo II passou os últimos anos da sua vida na terra pedindo que os católicos retornassem à confissão, inclusive mediante um documento “motu proprio” urgente e através da encíclica sobre a Eucaristia.

Ele chamou a crise na Igreja de “crise da confissão” e escreveu aos sacerdotes: "Sinto a necessidade premente de exortá-los, como fiz no ano passado, a redescobrir para si mesmos e ajudar os outros a redescobrirem a beleza do sacramento da reconciliação".

Por que toda essa importância dedicada à confissão?

Porque quando fugimos dela, nós perdemos o senso do pecado. E a perda do senso do pecado é a raiz de muitos males do nosso tempo, do abuso de crianças à desonestidade financeira, do aborto ao ateísmo.

Como, então, promover novamente a confissão?
Sugiro 7 motivos, tanto naturais quanto sobrenaturais, para voltarmos à confissão:

1. Porque o pecado impõe um fardo sobre as nossas costas.

Um terapeuta conta a história de um paciente que passava por um ciclo terrível de depressão e de repulsa por si mesmo desde o ensino médio. Nada parecia ajudá-lo. Um dia, o terapeuta encontrou o paciente na frente de uma igreja católica. Eles entraram na igreja porque tinha começado a chover e viram uma fila de pessoas indo ao confessionário.

"Será que eu não devia ir também?", perguntou o paciente, que tinha recebido o sacramento quando criança. "Não!", respondeu o terapeuta.

O paciente foi assim mesmo. Saiu do confessionário com seu primeiro sorriso em anos e começou um processo de melhora que se prolongou durante as semanas seguintes. O terapeuta começou a estudar mais sobre a confissão, se converteu ao catolicismo e hoje aconselha a confissão regular a todos os seus pacientes católicos.

O pecado nos leva à depressão porque não é apenas uma violação arbitrária de regras: é uma violação da finalidade proposta por Deus ao nosso próprio ser. A confissão elimina a culpa e a ansiedade causadas pelo pecado e nos traz a cura.

2. Porque o pecado nos vicia.

Aristóteles disse: "Nós somos o que fazemos repetidamente". O Catecismo diz: "O pecado cria uma propensão ao pecado". As pessoas não apenas mentem: elas se tornam mentirosas. Nós não apenas roubamos: nós nos tornamos ladrões. O pecado vicia. A ruptura com o pecado nos redefine, permitindo que iniciemos novos hábitos de virtude.

"Deus está determinado a libertar os seus filhos da escravidão e conduzi-los à liberdade", disse o papa Bento XVI. "E a escravidão pior e mais profunda é a do pecado".

3. Porque precisamos desabafar.

Se você quebra um objeto de grande valor afetivo pertencente a um amigo, você nunca ficará satisfeito só com o fato de sentir remorso. Você se sentiria obrigado a explicar a ele o que fez, expressar a sua tristeza e fazer o que for necessário para consertar o estrago.

Acontece o mesmo quando “quebramos” algo em nosso relacionamento com Deus. Precisamos dizer a Ele que sentimos muito e tentar corrigir o erro.

O papa Bento XVI nos lembra que nós temos que sentir a necessidade de confessar os nossos pecados, mesmo que eles não sejam graves. "Nós limpamos as nossas casas, os nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, embora a sujeira seja sempre a mesma, para vivermos na limpeza, para começarmos de novo", disse ele. "Podemos dizer algo semelhante quanto à nossa alma".

4. Porque a confissão nos ajuda a nos conhecer.

Nós nos enxergamos, normalmente, de um jeito errado. A nossa opinião sobre nós mesmos é como uma série de espelhos distorcidos. Às vezes, vemos uma versão maravilhosa e imponente de nós mesmos. Às vezes, vemos uma versão grotesca.

A confissão nos obriga a olhar para as nossas vidas objetivamente, a separar os verdadeiros pecados dos sentimentos ruins e a nos vermos como realmente somos.

O papa Bento XVI afirmou: "A confissão nos ajuda a ter uma consciência mais alerta, mais aberta e, portanto, também nos ajuda a amadurecer espiritualmente e como pessoas humanas".

5. Porque a confissão ajuda as crianças.

As crianças também precisam se confessar. Alguns autores têm enfatizado os aspectos negativos da confissão na infância: segundo eles, a confissão as "forçaria a pensar em coisas que geram culpa".

Mas não precisa ser desse jeito.

Danielle Bean, da Catholic Digest, explicou certa vez que os seus irmãos e irmãs se confessavam e depois rasgavam o papel em que tinham escrito a confissão, jogando-o na lixeira da igreja. "Que libertação! Jogar os meus pecados de volta ao lixo de onde eles vieram! 'Bati na minha irmã seis vezes' e 'respondi quatro vezes para a minha mãe' não eram mais um fardo que eu tinha que carregar!".

A confissão pode ajudar as crianças a desabafar sem medo, a receber o aconselhamento gentil de um adulto quando elas estão preocupadas ou com medo de falar com os pais. Um bom exame de consciência pode orientar as crianças a pensar nas coisas apropriadas para confessar. Muitas famílias fazem da confissão um passeio seguido de um sorvete!

6. Porque confessar os pecados mortais é necessário.

O Catecismo diz que o pecado mortal não confessado nos exclui do Reino de Cristo e nos causa a morte eterna no inferno, porque a nossa liberdade tem o poder de fazer escolhas definitivas. A Igreja nos lembra reiteradamente que os católicos em pecado mortal não podem receber a comunhão sem antes se confessarem.

O pecado é mortal quando reúne simultaneamente três condições: matéria grave, pleno conhecimento e consentimento deliberado, explica o Catecismo.

Os pecados que implicam matéria grave incluem, por exemplo, o aborto e a eutanásia, qualquer atividade sexual extraconjugal, o roubo, a pornografia, a calúnia, o ódio, a inveja, a não participação da missa aos domingos e nos dias de preceito, entre outros.

7. Porque a confissão é um encontro pessoal com Cristo.

Na confissão, é Cristo quem nos cura e nos perdoa através do ministério do sacerdote. Temos um encontro pessoal com Cristo no confessionário. Assim como os pastores e os magos na gruta de Belém, nós encontramos reverência e humildade. E, assim como os santos na crucificação, nós encontramos gratidão, arrependimento e paz.

Não há maior realização na vida do que ajudar outra pessoa a voltar à confissão.

Temos que estar dispostos a falar da confissão do jeito que falamos de todos os outros eventos significativos da nossa vida. O comentário espontâneo "Não vou poder nesse horário porque vou me confessar" pode ser mais convincente do que um discurso teológico. E se a confissão é um evento significativo em nossas vidas, ela é também uma resposta apropriada para a pergunta "O que você vai fazer neste fim de semana?". Além disso, muitos de nós têm histórias engraçadas ou interessantes para compartilhar sobre a confissão: por que não contá-las com naturalidade aos amigos?

Ajude a tornar a confissão normal de novo! Ajude o máximo possível de pessoas a descobrir a beleza deste sacramento libertador!

fonte: Aleteia.org Autor: Tom Hoopes 

sábado, 2 de agosto de 2014

A minha conversão ao Catolicismo - Gabriel Campos


“A dificuldade em explicar ‘por que sou Católico’ é que há dez mil razões para isso, e todas se resumem uma núnica: o catolicismo é verdadeiro”. G.K. Chesterton

Nasci em uma família de longa e larga tradição Protestante. Os avós maternos do meu pai, meus bisavós, já eram integrantes de uma Igreja Baptista no início do séc. XX, e minha família, salvo algumas excepções, assim permanece até hoje (não tratarei aqui da peculiar condição dos Baptistas em relação aos protestantes históricos, prefiro igualá-los neste momento).

Por volta de 1981, quando eu tinha 15 anos, fui batizado na Igreja Baptista Calvário em Itapetinga. Vivi a minha fé protestante com paixão, leitura intensa da Bíblia, livros teológicos e de história da Igreja. Por algum tempo, pensei em tornar-me Pastor. Na verdade, em 1985, quando cheguei em Brasília com 19 anos, estudei num Seminário da Assembleia de Deus durante 1 ano.
Mas, sempre admirei a gostei da Igreja Católica. Li alguma coisa sobre a Igreja Católica, ainda em Itapetinga, e fui lendo ao longo do tempo. Assim, desenvolvi um sentimento duplo em relação à Igreja.

De um lado, admirava-a, pois enfrentou Roma, foi perseguida, sobreviveu à queda do Império, enfrentou e sobreviveu à Idade Média, guardou a cultura clássica, sobreviveu ao Renascimento, ao Iluminismo, à Revolução Francesa, sobreviveu a dois Cismas (o Cisma do Oriente em 1054 e a Reforma em 1517), conviveu e não se contaminou frente a duas Guerras Mundiais e segue no mundo do sec. XXI. E ainda assim, a Igreja mantém-se: una e íntegra, não obstante os percalços, os problemas, os erros dos seus integrantes. Indubitavelmente, é impossível acumular um mínimo de conhecimento e não admirar a Igreja Católica.

Mas de outro lado, eu tinha de ser anti-católico, com todas as opiniões, crenças, fantasias e desconhecimentos que os Protestantes têm em relação à Igreja e a sua doutrina. Sim, tinha de ser anti-católico, pois como Protestante eu tinha uma ideia caricata da Igreja Católica.

Acompanhei, como qualquer pessoa minimamente informada, o pontificado de João Paulo II e a sua enorme influência no final do séc. XX. Como um esquerdista que era na década de 1980, acompanhei o processo contra o então Frei Leonardo Boff, em torno de sua obra “Igreja, Carisma e Poder”. Nessa época conheci e aprendi a admirar a imponente figura do então Cardeal Joseph Ratzinger. Também acompanhei a agonia e o falecimento de João Paulo II, seguida do conclave e do papado de Bento XVI; a sua renúncia, e a chegada de Francisco.

Aqui, um parêntesis para falar da Rivanda. Em 1989, quando eu tinha 23 anos, e morava em Brasília, conheci uma moça de 19 anos que tinha acabado de se converter ao protestantismo: era a Rivanda. Como ela não resistiu aos meus encantos, resolvemos casar-nos, o que fizemos em 1990 numa Igreja Baptista. Daí nasceu o Ciro Brasil Campos, em 1992.

Algumas leituras e estudos mais recentes fizeram-me mudar por completo o pensamento. A leitura da história da Igreja, a leitura dos Padres da Igreja (Policarpo de Smirna, Inácio de Antioquia, Clemente de Roma, Ambrósio, Jerónimo, João Crisóstomo), além, claro, de Agostinho e Tomás de Aquino, à luz da Bíblia, fez-me ver que algo estava “complicado” com o Protestantismo.

Mas de um modo nostálgico, não queria abandonar Jan Hus, Wycliffe, Lutero, Calvino, Zwinglio, Melanchthon e os demais reformadores. Dessa forma, o que fiz foi o confronto do pensamento, da doutrina e da tradição católica, com o pensamento, doutrina e tradição protestante.

Nos últimos dois anos, já estava consciente de que tudo o que eu pensava sobre a Igreja Católica e o que os protestantes pensam da Igreja Católica é apenas uma caricatura, uma versão-espantalho. A Igreja é muito mais sublime, rica e cristã do que julgava a minha vã filosofia protestante.

Depois de muito pensar a respeito, orar e conversar com Rivanda, tomando sempre como referência a Bíblia, tomei a decisão de ir a uma Missa. Comprei um pequeno livro litúrgico para compreender cada acto da Missa e, no dia 15 de Setembro de 2013, fui então à igreja mais próxima de casa, a igreja de Nossa Senhora de Nazaré.

Fiquei absolutamente impressionado com a Missa e pela primeira vez cheguei à conclusão de que aquela era a Casa de Deus e era o meu lugar. Após a Missa, falei com o Padre Roberto Carlos Rambo (acreditem, Rambo é sobrenome de origem alemã, não tem nada a ver com o filme) sobre a minha crise e conversamos algumas vezes.

Interessante notar que nos encontros seguintes que tive com o Padre Rambo, ele jamais se portou como um proselitista, jamais estimulou a minha entrada na Igreja Católica, sempre foi um ouvinte, sempre me deixando à vontade.

Rivanda, no Domingo seguinte (22/09/2013), começou a ir à Missa comigo e mesmo com alguma relutância, passou a ler alguns textos católicos e o Catecismo. Não demorou muito tempo a convencer-se que jamais deveria ter saído da Igreja.

Actualmente, estamos na mesma Igreja. Rivanda deverá receber o sacramento da confissão no início de Janeiro e voltar à Barca de Pedro. Quanto a mim, preparo-me para o baptismo e primeira comunhão.

Como sempre li muito, ando devorando tudo o que encontro sobre o tema apaixonante da Igreja Católica... livros, sites, música, catecismo, história da Igreja... Lamento apenas ter demorado tanto tempo para tomar essa decisão.

As objecções protestantes à doutrina católica caíram em semanas, uma a uma, pois nada resiste à graça de Cristo e o entendimento da Tradição e do Magistério da Igreja.

Após esta minha conversão, ao pesquisar na internet, descobri que não estava sozinho. Em diversos países do mundo, em menor escala no Brasil, Pastores e líderes protestantes e muitos outros têm se convertido ao catolicismo. Scott Hahn, Marcus Brodi, Francis Beckwith, dentre outros tantos.

Aos meus amigos Protestantes, saibam que muito aprendi com todos vocês, e que as diferenças que agora se apresentam, não vão diminuir o apreço e a amizade que tenho por todos.

Testemunho Ex-protestante: Rivanda Marcelino Brasil

Em outubro de 1970, eu, Rivanda Marcelino Brasil Campos, nasci numa família católica, simples, sem conhecimentos sobre a doutrina da Igreja, mas católica. Em fevereiro de 1972, com um ano e quatro meses de idade, fui batizada. Anos após, recebi o sacramento da Eucaristia e, algum tempo depois, ainda no início da adolescência, o sacramento do Crisma. Cresci sendo levada, aos domingos e demais dias santos, às Missas da Igreja Católica Apostólica Romana. E assim, continuei o hábito dos meus pais, frequentando às Missas. Aos dezessete anos de idade, passei a frequentar um grupo de jovens da renovação carismática da Igreja São José de Taguatinga Norte, cidade do Distrito Federal, próxima à capital Brasília. Mas eu estava sem amparo, ficando um tanto desmotivada e encarando a Missa como algo repetitivo e sem sentido. Não confessei isso a ninguém e, certamente, foi aí que eu errei. Jovem e sem o conhecimento firme da doutrina católica, acabei aceitando explicações vindas do protestantismo. Fui, sem meus pais saberem, a cultos em igrejas protestantes. E assim, acabei sucumbindo, sem procurar nenhuma resposta dentro da doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana para as dúvidas que me afligiam e aceitei, sem nenhuma avaliação, as “verdades” que o protestantismo me oferecia e que eu nem sabia que tinham por base a Sola Fide e a Sola Scriptura.
Aos dezoito anos, em 1989, conheci um jovem batista, ao voltar do trabalho para casa. Era o Gabriel Campos. Na mesma noite, acordei ao cair da cama e ter sonhado me casando com aquele rapaz que acabara de conhecer. Fiquei um tanto assustada com aquilo, mas não dei importância. Semanas depois e por acaso, tornamos a nos encontrar. Iniciamos um namoro, que desembocou num casamento, em maio de 1990, na Igreja Batista Alvorada de Taguatinga. Ressalto que não frequentávamos essa igreja, mas nos “casamos” lá, pois eu ainda estava a visitar várias igrejas protestantes. E assim ficamos durante muito tempo. Após um ano e sete meses, fiquei grávida e nosso filho nasceu oito meses depois. Tempos depois, passamos a frequentar a Igreja Batista Monte Horebe, na qual fui “batizada”. E lá estava eu com minhas novas dúvidas. Afinal, por que tinha de ser batizada novamente, se nunca deixara de crer em Jesus como meu Senhor e Salvador? Por que só a fé salva? E as obras? Na verdade, eu não me pronunciava, mas sempre considerei inaceitável ler na Epístola de São Tiago 2,24 que a justificação ocorre pelas obras e não somente pela fé e continuar dizendo que a salvação viria somente pela fé. O tempo foi passando, mudamos de residência e fomos frequentando outras igrejas protestantes. Nunca entendi o porquê de tantas divisões, mas também não me esforçava ou não queria, seriamente, buscar a resposta. Acabamos por frequentar cada vez menos e começamos a observar cada vez mais o fenômeno das divisões que não paravam e não param nas igrejas protestantes, a teologia da prosperidade e mais recentemente os grupos que abominam a reunião em igreja e o sacerdócio, mesmo possuindo estes um líder espiritual e um local para se reunirem. Mas guardávamos a crença protestante e ir para a Igreja Católica era algo, simplesmente, não cogitado.
Ocorre que Gabriel sempre gostou de ler diversos temas e a Igreja Católica Apostólica Romana era um destes. No início, leituras sem o intento de pesquisar, de buscar respostas para nossas dúvidas escondidas em algum recôndito da alma, mas essas mesmas leituras foram gerando questões, que por algum tempo foram deixadas de lado, mas como um rio mal represado, acabaram por inundar nossa alma e necessitavam de respostas honestas. Assim, Gabriel começou a dividir comigo suas dúvidas. Confesso que cada vez que ele me trazia uma informação ou uma dúvida, eu ouvia, mas não queria dar importância àquilo. Eu percebia que havia pertinência naquelas dúvidas e isso me preocupava. Num certo dia, ele apareceu com um livro chamado Todos os caminhos levam à Roma, escrito pelo ex-pastor calvinista Scott Hahn e sua esposa Kimberly. Eu não queria saber daquilo. Eu nunca havia ouvido falar de um protestante convertido à Igreja Católica! Por acaso, existiria explicação para a Igreja Católica Apostólica Romana? Mesmo que existisse, eu não queria tomar conhecimento. Eu queria, mesmo sem ter isso de forma clara, permanecer na minha ignorância. Mas a história de conversão daquele ex-pastor me parecia por demais interessante para que eu me negasse à leitura. Eu tinha que satisfazer minha curiosidade. Sinceramente, não esperava encontrar naquele livro nada que pudesse abalar minhas convicções protestantes sobre a Igreja Católica. Mas alguns trechos desse livro me fizeram pensar. E um desses trechos foi o seguinte: “Bom, doutor Gerstner, tanto protestantes como católicos estão de acordo em que Deus deve ter tornado infalível Pedro pelo menos em duas ocasiões: quando escreveu a Primeira e a Segunda Epístola de Pedro, por exemplo. Ora, se Deus o pode tornar infalível para ensinar com autoridade por escrito, porque é que não podia preservá-lo do erro ao ensinar com autoridade em pessoa? Do mesmo modo, se Deus pode fazer isso com Pedro e com os outros apóstolos que escreveram a Escritura, porque não podia fazer o mesmo com os seus sucessores, especialmente ao prever a anarquia a que se chegaria se não o fizesse? Por outro lado, como podemos estar seguros de que os vinte e sete livros do Novo Testamento são em si mesmos a infalível Palavra de Deus se foram Papas falíveis e concílios falíveis que nos deram essa lista?”
Naquele livro, vi, de certo modo, eu e Gabriel vivendo um momento semelhante. Obviamente que a bagagem de conhecimento do casal Hahn está a anos luz de distância da nossa. Estão muito adiante.
Em meados de setembro de 2013, Gabriel me convidou para irmos à Missa na Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, uma igreja que fica a uns dez minutos de nossa casa, se formos de carro. Disse que não queria ir, mas não me incomodava que ele fosse lá matar sua curiosidade. Ele me perguntou, ao sair: E se eu me tornar católico, o que você fará? Na verdade, eu sabia que ele já estava convencido de suas descobertas, só queria confirmar suas certezas. Então respondi: Olha, você está com um pouco mais de sorte que o Scott Hahn, pois como já fui católica, não tenho toda aquela aversão que a Kimberly teve e que era totalmente compreensível considerando o passado dela. Vou respeitar sua decisão, quero que você se sinta bem com Jesus e com suas convicções, mas não quero ser pressionada e nem quero você tentando me convencer. Antes que entrasse no carro e se dirigisse à Igreja, perguntei a ele se não ficaria perdido durante a missa, pois não sabia as orações, quando ajoelhar, o que responder, e ele me disse que já havia lido um pequeno livro que explicava cada ato da missa. E assim, foi e voltou certo de que a Igreja Católica Apostólica Romana é a Igreja de Cristo. Na verdade, ele já estava convencido disto, após leituras dos primeiros padres da Igreja, aulas do Pe. Paulo Ricardo e escritos do Scott Hahn e do Papa Bento XVI, tudo em consonância com a Bíblia. Mas, mesmo assim, eu não esperava que ele tomasse essa decisão tão rápido. Eu estava com um certo medo. Eu não queria tomar conhecimento das respostas lógicas para a veneração e intercessão de Maria e de todos os santos, para a infalibilidade papal, para a formação do cânon da Bíblia e da própria Eucaristia e demais sacramentos. Ocorre que essas respostas me incomodavam, movimentavam algo dentro de mim, me causavam desconforto. Mas a cada dúvida, me era dada uma resposta, nos livros, nas aulas do Pe. Paulo Ricardo, no Catecismo da Igreja Católica, na sua tradição e na Bíblia. Eu poderia, simplesmente, não aceitar. E por muitas vezes, eu voltava a ler ou a assistir aos vídeos para verificar se não havia algum ponto falho, algo inaceitável, mas não encontrei. O fato é que as explicações se mostravam cada vez mais óbvias. Algumas pessoas devem ter concluído que meu retorno à Igreja Católica Apostólica Romana se deu por uma comodidade de acompanhar meu marido, mas não foi para agradá-lo que aceitei as explicações para minhas dúvidas, pois sempre respeitamos muito o momento um do outro. Vi que eram respostas verdadeiras e que eu não podia mais ignorá-las. Passei a acessar vários vídeos e textos do Pe. Paulo Ricardo (https://padrepauloricardo.org/). Fiquei tão sedenta, que acabei por fazer minha assinatura no site para acessar as aulas restritas aos assinantes. Em meados de janeiro de 2014, meu marido assumiu sua conversão aos amigos por meio do facebook, pois assim, não teria de ficar repetindo a mesma história. O mais difícil foi revelar à família dele, que tem longa tradição batista. Após o comunicado, percebemos o silêncio e também o distanciamento. Alguns conhecidos mais exaltados proferiram expressões grosseiras para nos descrever, outros deram gargalhadas, pois pensaram que estávamos contando uma piada. Fazer o quê? Vamos deixando nas mãos Deus.
Com minhas limitações, sigo lendo e ouvindo e aprendendo, cada vez mais, sobre a Igreja Católica Apostólica Romana. Aquela mesma Igreja, que Cristo deixou sob os cuidados de Pedro e sob a promessa de que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Termino esse testemunho afirmando que Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra e em Jesus Cristo, seu Único Filho e nosso Senhor, que foi concebido pelo Poder do Espírito Santo. Nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu a mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu, está sentado à direita de Deus Pai Todo- Poderoso, de onde há de vir e julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressureição da carne, na vida eterna. Amém.